A geopolítica mais uma vez dita as cartas nas bolsas de valores em 2026, já que o Irã resolveu nesta terça-feira (17)
fechar parcialmente o Estreito de Ormuz, que banha o seu litoral ao sul, rota marítima estratégica responsável por mais de 20% das exportações mundiais de
petróleo, sendo a única passagem para que petroleiros de países árabes escoem sua produção.
Tal cartada do regime dos aiatolás não vem por acaso, uma vez que seus negociadores se encontram pessoalmente com representantes do governo Trump em reuniões diplomáticas em Genebra, cidade suíça que abriga o Escritório das Nações Unidas.
"As principais rotas de trânsito do Estreito de Ormuz estão sob controle da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, e o Irã não tem linhas vermelhas quando se trata de salvaguardar a segurança nesta região", afirmou a TV estatal iraniana.
Enquanto os iranianos fecharam trechos do Estreito de Ormuz por várias horas para exercícios militares na região, na outra ponta, os preços do petróleo no mercado internacional já reagiam aos possíveis riscos de desabastecimento global.
Por volta das 11h (horário de Brasília), a cotação do
petróleo tipo Brent, referência usada pela
Petrobras (PETR4), caía -0,44%, valendo US$ 68,35 por barril na Bolsa de Valores de Londres. Já as ações da
British Petroleum (BP), a maior petroleira do Reino Unido, subiram quase +2% na máxima do dia, valendo £ 473,30 cada, bem acima do fechamento anterior de £ 465,75.
Na véspera, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que estaria envolvido indiretamente nas negociações em Genebra, indicando que o governo iraniano deseja fazer um acordo, embora também tenha defendido que uma mudança de regime no Irã "seria a melhor coisa que poderia acontecer".