Petrobras (PETR4) bate recorde histórico de valor de mercado pela 10ª vez

Apenas nesta semana, mais de R$ 50 bilhões foram acrescentados ao valor de mercado da companhia, em mais uma das sequências de ganhos.

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Publicado em 27/03/2026 às 19:17h Publicado em 27/03/2026 às 19:17h por Matheus Silva
Somente hoje, a ação movimentou R$ 2,47 bilhões em 64,2 mil negócios (Imagem: Shutterstock)
Somente hoje, a ação movimentou R$ 2,47 bilhões em 64,2 mil negócios (Imagem: Shutterstock)
🚀 A Petrobras (PETR4) encerrou esta sexta-feira (27) com R$ 673,22 bilhões em valor de mercado, o maior da história da companhia. 
Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, a estatal renovou o recorde de capitalização por dez vezes, em uma trajetória de valorização sustentada pela escalada nos preços do petróleo e pelas incertezas crescentes sobre a duração do conflito no Oriente Médio.
Apenas nesta semana, mais de R$ 50 bilhões foram acrescentados ao valor de mercado da companhia, em mais uma das sequências de ganhos que vêm marcando o desempenho da ação desde o início do conflito.
Os papéis preferenciais encerraram cotados a R$ 49,41, sendo os mais negociados da B3 no pregão desta sexta. 
Somente hoje, a ação movimentou R$ 2,47 bilhões em 64,2 mil negócios. Os papéis ordinários fecharam a R$ 54,30.

Petrobras acumula 25% nos 28 dias de conflito e mais de 60% no ano

Nos 28 dias desde o início da guerra, a PETR4 acumula valorização de 25,63% e a PETR3 avança 27,08%. 
No acumulado do ano, as duas ações registram alta superior a 60%, desempenho que coloca a Petrobras entre as ações de maior valorização da bolsa brasileira no período e entre as petroleiras de maior valorização no mundo desde o início do conflito.
O movimento reflete a exposição direta da estatal à disparada do petróleo. O barril do Brent, referência internacional, superou os US$ 105 nesta sexta e acumula alta superior a 45% desde 28 de fevereiro, data em que os EUA e Israel iniciaram os ataques ao Irã. 
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo governo iraniano, por onde transitam normalmente cerca de 20% do petróleo mundial, concentrou os fluxos globais de capital em ativos com exposição direta à commodity.

Por que a Petrobras lidera a valorização entre as grandes petroleira

A Petrobras reúne em um único papel três vetores que, no caso dos competidores internacionais, costumam ser diluídos, exposição direta ao preço do Brent, integração vertical com o refino e o componente de mercado emergente, que amplifica a reprecificação em ciclos positivos para o petróleo.
Além disso, a estatal parte de um valuation historicamente comprimido frente às rivais globais, o que intensifica a resposta do papel em cenários de alta do petróleo. 
A distância geográfica do conflito e o perfil exportador do Brasil, que é exportador líquido de petróleo bruto, também reforçam a percepção de que os ativos brasileiros funcionam como porto seguro relativo em meio à turbulência geopolítica.

Produção em expansão reforça os fundamentos da tese

O cenário operacional da Petrobras também contribui para o desempenho. No 4T25, a companhia registrou lucro líquido de R$ 15,56 bilhões, revertendo o prejuízo do mesmo período de 2024, com produção total de óleo e gás crescendo 11% no ano. 
Em março, a estatal também bateu o recorde histórico de R$ 600 bilhões em valor de mercado pela primeira vez, marca que foi superada seis vezes desde então até chegar aos R$ 673 bilhões desta sexta.
A companhia também anunciou a distribuição de R$ 8,1 bilhões em dividendos referentes ao 4T25, com pagamento previsto em duas parcelas, em maio e junho de 2026. 
A diretoria acenou para a possibilidade de retomada de dividendos extraordinários caso o nível de caixa permaneça elevado sem impacto na financiabilidade dos projetos.

Desafios estruturais mantêm desconto frente às rivais globais

Apesar da valorização expressiva, analistas apontam que a Petrobras ainda negocia com desconto frente às principais concorrentes internacionais.
O principal fator citado é o risco de interferência governamental na política de preços de combustíveis, especialmente em ano eleitoral, quando a pressão política para segurar reajustes tende a se intensificar.
A defasagem acumulada nos preços do diesel e da gasolina em relação à paridade de importação representa um risco de curto prazo para a tese.
A Petrobras realizou reajuste de 11,6% no diesel em março, primeiro em mais de 300 dias, mas analistas avaliam que a defasagem ainda não foi totalmente eliminada.
📊 Para os investidores estrangeiros, a estatal segue sendo vista prioritariamente como uma tese de petróleo, com a melhora do ambiente doméstico funcionando como fator adicional de desbloqueio de valor.