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Petrobras (PETR4) registrou a maior valorização entre as dez maiores companhias petrolíferas do mundo desde o início do conflito entre os EUA e o Irã.
O valor de mercado da estatal cresceu 18,9% no período, atingindo US$ 127,5 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 674,5 bilhões na cotação atual, segundo levantamento do Broadcast com base em dados do site Companies Market Cap.
Desde o início do mês, o barril do
petróleo Brent acumulou alta de 49,2%.
Em reais, a Petrobras bateu seis recordes de capitalização de mercado ao longo de março, atingindo o pico de R$ 640 bilhões na quarta-feira (18), com ganho mensal de R$ 108 bilhões.
O patamar ainda está distante do recorde histórico em dólares, de US$ 310 bilhões, alcançado em junho de 2008.
Distância geográfica e exposição ao Brent explicam a liderança
Para o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, o desempenho superior da Petrobras em relação às concorrentes globais reflete uma combinação de fatores.
A estatal concentra em um único papel três vetores que, no caso dos competidores internacionais, costumam ser diluídos: exposição direta ao preço do petróleo, integração com refino e o prêmio ou desconto típico de mercados emergentes.
"Com a alta do Brent, o mercado passou a precificar simultaneamente esses fatores", afirmou Lemos.
O analista acrescenta que a Petrobras parte de um valuation historicamente comprimido frente aos pares internacionais, o que amplifica a reprecificação em ciclos positivos para o petróleo.
O efeito, no entanto, se inverte em momentos de queda, especialmente quando há defasagem nos preços domésticos de combustíveis.
Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, atribui parte da valorização recente a uma correção de desempenho anterior. "Havia um gap relevante em relação às grandes petroleiras, e esse movimento ajudou a fechar parte dessa diferença", avaliou.
Desconto estrutural persiste por fatores domésticos
Apesar da valorização expressiva, a Petrobras segue negociando com desconto frente às rivais globais.
Para Lemos, isso decorre principalmente de riscos domésticos que podem se sobrepor à commodity a qualquer momento, como a possibilidade de intervenção governamental, incertezas na política de preços de combustíveis e o custo de capital mais elevado associado ao Brasil.
Medidas como tributação sobre exportações e manutenção de defasagens nos preços reforçam essa percepção no mercado.
Queiroz reforça a visão. "O principal fator segue sendo político. Qualquer interferência na Petrobras, seja em investimentos ou na política de preços, pode comprometer a eficiência e a geração de valor do ponto de vista especialmente do investidor estrangeiro", ponderou.
Na prática, para os investidores externos, a Petrobras continua sendo vista como uma tese de petróleo com opcionalidade de Brasil: o fluxo externo acompanha o Brent, enquanto uma melhora no ambiente doméstico poderia destravar valor adicional.
Reajuste do diesel e proposta de ICMS abrem espaço para novos aumentos
Na semana passada, a Petrobras anunciou reajuste de 11,6% no preço do diesel, o primeiro em 312 dias. A gasolina segue sem alteração.
Em paralelo, o governo federal propôs que os estados zerem o ICMS sobre a importação de diesel por dois meses, medida que, na avaliação do Citi, permitiria à estatal reduzir a defasagem entre os preços domésticos e os de paridade de importação.
📊 A questão dos
dividendos também permanece como um dos principais atrativos da ação. Segundo Queiroz, porém, os proventos só voltariam a impulsionar fortemente o papel em um cenário de distribuição extraordinária, como ocorreu entre 2020 e 2022.