Nubank (ROXO34) pode voltar à Argentina para desafiar o império do Mercado Pago (MELI34)

Compra do Brubank pode colocar 4 milhões de clientes no radar do roxinho e reabrir a batalha das fintechs no país vizinho.

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Publicado em 29/08/2025 às 13:10h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 29/08/2025 às 13:10h Atualizado 2 minutos atrás por Wesley Santana
Nubank e Mercado Pago são duas das maiores fintechs da América Latina (Imagem: Shutterstock)

Praticamente em toda a Argentina, o Mercado Pago (MELI34) já se consolidou como o principal meio de pagamento. Segundo um levantamento do Statista, a empresa acumula um market share superior a 75% no país vizinho.

No entanto, o império de Marcos Galperin pode se ver ameaçado a qualquer momento com a chegada de um novo concorrente de peso. Isso porque o Nubank (ROXO34) estaria avaliando um desembarque em terras argentinas.

Para acessar o mercado, a opção mais comentada seria a compra de um banco local. Neste caso, o principal candidato é o Brubank, banco digital que opera no mesmo formato e que tem visões parecidas com o fundado por David Velez.

Um relatório publicado pelo BTG Pactual dá conta dessa possível aquisição que envolve um universo de 4 milhões de clientes. Se confirmada o M&A, ela marcaria o retorno do Nubank à Argentina, depois de um pequeno período de oferta de cartões de crédito, antes do recrudescimento da crise econômica local.

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“Se concluída, a aquisição do Brubank poderia dar ao NU uma licença local, base de clientes e infraestrutura (transferências, QR, fundos, empréstimos) alinhadas ao modelo app-first do NU, permitindo tempo de entrada mais rápido no mercado e um desafio crível ao ecossistema de pagamentos do Mercado Pago”, afirmam os analistas do BTG.

Além do Brasil, atualmente, o Nubank mantém operações no México e na Colômbia, países onde tem colhido bons resultados de expansão. No país norte-americano, já superou a marca de 12 milhões de clientes cadastros, o que mostra a velocidade do crescimento no local.

Anteriormente, o próprio Velez já havia comentado a possibilidade de retornar à Argentina, quando disse que estava “olhando para a Argentina”. Na ocasião, o executivo disse que a empresa tomaria uma decisão nos próximos 12 ou 24 meses.

“Os próximos pontos a observar são a confirmação (ou negativa) formal, os trâmites regulatórios com o BCRA (Banco Central argentino), escopo de integração (marca, produtos, depósitos/linha de crédito) e resposta competitiva, principalmente do Mercado Pago e bancos locais”, continua o BTG, no relatório.

O Nubank foi procurado pela imprensa para comentar a suposta fusão, mas disse que não comenta rumores ou especulações de mercado. “Reafirmamos nosso compromisso de manter uma comunicação aberta, clara e oportuna sobre todas as questões relevantes de negócios”, disse, por meio de nota.

Mercado Pago quer crescer

Na semana passada, a divisão argentina do Mercado Pago passou a emitir cartões de crédito para seus consumidores. Essa é uma das etapas da estratégia do banco digital para ganhar mercado frente aos bancos tradicionais do país.

Para disponibilizar o serviço, a fintech solicitou uma licença bancária, que lhe permite funcionar como uma instituição financeira comum. Os cartões serão emitidos com bandeira Mastercard, sem anuidade ou comissões, e possibilidade de parcelamento em até três vezes sem juros.

O grande problema é o uso no exterior que não estará habilitado neste primeiro momento, justamente quando o turismo dos argentinos para fora do país cresce. No entanto, o banco acredita que a funcionalidade será habilitada nos próximos meses.

"Usamos nosso próprio modelo de pontuação e, à medida que cada usuário mostra um bom comportamento de pagamento, esperamos que essas linhas cresçam e melhorem", disse Juan Martín de la Serna, presidente do Mercado Livre Argentina, sobre o lançamento. "Não temos uma meta para quantos cartões queremos emitir. Queremos escolher o número certo de cartões", acrescentou o executivo.