Nubank (ROXO34) pode comprar banco português no Brasil; entenda o negócio

O roxinho está na fase final da disputa pelo BCG Brasil, a subsidiária brasileira do maior banco de Portugal.

Author
Publicado em 27/03/2026 às 16:44h Publicado em 27/03/2026 às 16:44h por Marina Barbosa
Nubank diz que negócio faz parte do plano de obter uma licença bancária no Brasil (Imagem: Shutterstock)
Nubank diz que negócio faz parte do plano de obter uma licença bancária no Brasil (Imagem: Shutterstock)
O Nubank (ROXO34) está na briga para comprar o BCG Brasil (Banco Caixa Geral Brasil) -operação brasileira do maior banco de Portugal, a Caixa Geral de Depósito.
A Caixa é controlada pelo governo português e colocou a sua subsidiária brasileira à venda em setembro do ano passado. Desde então, vinha recolhendo e analisando as intenções de aquisição do ativo.
Ao todo, 27 potenciais investidores foram convidados a formalizar suas intenções de compra e apenas quatro deles foram selecionados para avançar para a próxima fase do processo, que envolve a apresentação de propostas vinculantes.
O Nubank foi um dos quatro selecionados, ao lado da Garantia Capital, da MD Capital e da Sputnik LLC, segundo resolução publicada nesta semana pelo governo português.
Agora, os quatro selecionados terão um prazo de 90 dias para apresentar suas propostas.
Para o negócio avançar, a exigência do governo português é que o selecionado faça um pagamento inicial de R$ 10 milhões, independente oferecido pela totalidade do BCG Brasil, até o momento de assinatura do contrato. O restante do valor deve ser alvo de uma garantia bancária.

O que diz o Nubank?

Segundo o Nubank, a negociação está alinhada ao plano de obter uma licença bancária no Brasil.
O plano foi anunciado em dezembro de 2025, depois que o BC (Banco Central) e o CMN (Conselho Monetário Nacional) restringiu o uso de termos como "banco" ou "bank" por instituições que não possuem autorização formal para operar como banco. 
É o caso do Nubank, que, embora seja conhecido como um banco digital, atua oficialmente como uma instituição de pagamento perante o BC. 
Por isso, o roxinho decidiu obter uma licença bancária para se adaptar à nova regra e, assim, poder manter a sua marca e identidade visual. Ou seja, para manter o "bank" no seu nome. Para isso, pode pedir a licença bancária ao BC ou comprar um banco.
Em nota, o Nubank disse que "vem avaliando diferentes alternativas para atingir esse objetivo" e ressaltou que "essas análises não significam uma decisão tomada ou definição sobre qualquer operação específica". 
"Como companhia aberta, temos compromisso com a transparência e comunicaremos ao mercado quando qualquer decisão relevante for tomada", acrescentou, ao ser questionado sobre o processo envolvendo o BCG Brasil.

Por que o BCG Brasil está à venda?

A Caixa Geral de Depósitos colocou subsidiárias internacionais à venda dentro de um processo de reestruturação que tinha como objetivo ampliar a sua rentabilidade de longo prazo e racionalizar a sua estrutura, para que fosse possível ter um foco maior no mercado português.
O plano foi anunciado há quase 10 anos, em 2017, e já levou à venda do Mercantile Bank Holdings Limited da África do Sul e do Banco Caixa Geral da Espanha.
Desde o princípio, envolvia também o BCG Brasil. A venda da operação brasileira, contudo, havia sido abandonada nos últimos anos, depois que o governo português rejeitou as primeiras ofertas realizadas pelo ativo.
O negócio só voltou à tona em setembro de 2025, quando o governo português decidiu realizar uma nova recolha de intenções. 
À época, o Executivo disse havia condições para relançar o processo em face da evolução registrada no mercado bancário brasileiro e de manifestações recentes de interesse por parte de potenciais investidores.
Pouco depois, a Caixa Geral de Depósitos indicou que já havia recebido "propostas de qualidade" de investidores com "credibilidade" pela operação brasileira. Porém, indicou que, mesmo caso avance, o negócio só deve ser concluído em 2027, já que depende de aprovações regulatórias.

BCG Brasil

Segundo a Caixa Geral de Depósitos, o BCG Brasil é um banco voltado a empresas e a operações de investimento no mercado de capitais.
O objetivo principal é apoiar clientes do grupo português no Brasil, como empresas ibéricas com interesses comerciais no Brasil e grupos brasileiros com negócios na Europa, Estados Unidos, África e Extremo Oriente.
Em 2025, a instituição apresentou um prejuízo de R$ 4,89 milhões, além de estabilidade na carteira. 
Ao apresentar o resultado, o banco observou que o ano foi marcado por um ambiente macroeconômico desafiador, devido aos juros altos e às novas regras de provisões do BC.
"Diante desse cenário, o Banco manteve disciplina na originação e na gestão da carteira de crédito, priorizando operações compatíveis com seu perfil de risco e preservando a qualidade dos ativos", afirmou.
Ainda assim, o BCG Brasil mantinha uma "perspectiva de evolução gradual, de forma seletiva e alinhada às condições econômicas vigentes", para este ano de 2026.