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Bradesco (BBDC4) entra na temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 em um contexto bem diferente do observado nos últimos anos. Mesmo com a expectativa de um resultado mais moderado na comparação com alguns pares, o banco recuperou a confiança dos investidores.
As ações acumulam valorização de cerca de 14% no ano e voltaram ao patamar de R$ 20,80, nível que não era visto desde 2022.
O momento reflete menos euforia de curto prazo e mais a percepção de que o banco começa a colher resultados concretos do seu processo de reorganização. Para o mercado, o 4T25 tende a funcionar mais como uma confirmação de trajetória do que como um trimestre de grandes surpresas.
Lucro cresce, mas sem excessos
Na avaliação da Genial Investimentos, o quarto trimestre deve marcar mais um passo na recuperação gradual da rentabilidade. A casa projeta lucro líquido de R$ 6,42 bilhões, crescimento de 19% na comparação anual, acompanhado por um avanço do
ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) para 14,6%.
Segundo os analistas, o cenário operacional mais favorável, com receitas de juros em recuperação e inadimplência sob controle, cria espaço para crescimento de lucro sem pressão excessiva sobre o risco.
A leitura é de que o Bradesco está conseguindo evoluir de forma mais equilibrada, sem repetir ciclos passados de expansão acompanhada de deterioração da carteira.
Reestruturação segue no centro da tese
Mais do que o número final do lucro, o foco das casas de análise segue na execução do plano de transformação do banco.
A Genial destaca que o Bradesco deve continuar avançando em medidas estruturais, como fechamento de agências, redução de headcount, digitalização do varejo de massa e maior concentração em clientes de alta renda.
Esse conjunto de ações busca não apenas cortar custos, mas também tornar a operação mais ágil e eficiente no longo prazo. Para o mercado, o ponto-chave é que essas mudanças vêm sendo feitas sem comprometer a capacidade de crescimento do banco, o que fortalece a percepção de uma virada mais sustentável.
Crédito cresce perto do limite do guidance
Do lado do balanço, a carteira de crédito expandida deve crescer 2,4% no trimestre e 7,9% no acumulado de 2025, muito próxima do teto do guidance anual de 8%. Esse desempenho é visto como saudável, pois permite ao banco seguir ajustando sua estrutura operacional sem abrir mão de crescimento.
A XP reforça essa leitura ao afirmar que o Bradesco parece ligeiramente adiantado em relação ao cronograma do seu plano de turnaround.
Isso cria uma espécie de “colchão” operacional, que pode ser usado tanto para reforçar o balanço quanto para absorver eventuais oscilações do ambiente macroeconômico.
Consenso entre analistas reforça previsibilidade
As projeções das principais casas mostram pouca dispersão, o que reforça a ideia de previsibilidade do resultado.
🚀 Mesmo sem entregar um resultado “explosivo”, o Bradesco parece consolidar uma trajetória mais consistente. Para o mercado, o 4T25 deve reforçar a narrativa de que a virada está em curso e que o banco, aos poucos, volta a ser tratado como uma história estrutural de recuperação, e não apenas uma aposta.