Mercado reduz projeções para inflação e PIB de 2025, mostra novo Boletim Focus

Para 2025, a projeção para o IPCA foi levemente ajustada de 5,66% para 5,65%.

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Publicado em 24/03/2025 às 09:13h - Atualizado 6 dias atrás Publicado em 24/03/2025 às 09:13h Atualizado 6 dias atrás por Matheus Silva
Mesmo com o cenário inflacionário desafiador, as projeções para a taxa Selic seguem estáveis (Imagem: Shutterstock)

🚨 As expectativas para a economia brasileira em 2025 sofreram novos ajustes. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (24) pelo Banco Central, analistas do mercado financeiro revisaram para baixo tanto a previsão de inflação quanto a estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no próximo ano.

Os dados são resultado de uma pesquisa semanal realizada com mais de 100 instituições financeiras e oferecem uma fotografia atualizada do sentimento dos agentes econômicos em relação ao futuro da economia do país.

Inflação segue acima da meta para 2025

Para 2025, a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) foi levemente ajustada de 5,66% para 5,65%.

Apesar da redução marginal, o número continua acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%.

O cenário ainda aponta um caminho desafiador para o controle da inflação. Para 2026, por exemplo, a estimativa subiu de 4,48% para 4,50%, cravando exatamente o teto da meta.

Já para 2027 e 2028, as projeções se mantiveram em 4% e 3,78%, respectivamente.

Vale lembrar que o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal instrumento para conter a inflação.

O efeito dos juros sobre os preços, porém, não é imediato. Em geral, as decisões de hoje só geram impacto total entre seis e dezoito meses no futuro.

Nesse contexto, o foco da política monetária está voltado para a inflação acumulada nos doze meses até meados de 2026.

Se a inflação ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida —o que exige uma justificativa formal do Banco Central ao Ministério da Fazenda.

Foi exatamente o que aconteceu no início deste ano, quando o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, enviou uma carta ao ministro Fernando Haddad explicando o estouro da meta de 2024.

Entre os fatores citados, estavam o aquecimento da economia, a desvalorização do real e eventos climáticos extremos.

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Taxa Selic permanece inalterada

Mesmo com o cenário inflacionário desafiador, as projeções para a taxa Selic seguem estáveis.

A expectativa do mercado é de que os juros terminem 2025 em 15% ao ano, patamar que vem sendo mantido nas últimas semanas.

Para os anos seguintes, o mercado espera uma trajetória de queda gradual. A taxa básica de juros deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano, e recuar para 10,5% ao final de 2027 — um nível ainda elevado, mas em linha com o processo de desinflação previsto.

Crescimento do PIB também foi revisado para baixo

📈 A estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2025 recuou discretamente, de 1,99% para 1,98%. Embora seja uma variação pequena, ela sinaliza uma visão mais cautelosa dos analistas em relação à atividade econômica.

O PIB —que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país— é um dos principais termômetros da saúde econômica.

Para 2026, a projeção de alta do PIB permaneceu em 1,60%, indicando uma expectativa de crescimento modesto.

Câmbio, balança comercial e investimentos

Outros indicadores também foram atualizados:

  • Dólar: A expectativa para o câmbio ao final de 2025 caiu de R$ 5,98 para R$ 5,95. Para 2026, a estimativa segue em R$ 6.
  • Balança comercial: O superávit esperado para 2025 foi reduzido de US$ 76,7 bilhões para US$ 75,4 bilhões. Em 2026, a previsão continua em US$ 79,2 bilhões.
  • Investimento estrangeiro direto: A entrada de capital externo prevista para 2025 continua em US$ 70 bilhões. Para 2026, houve uma leve queda na estimativa, de US$ 72 bilhões para US$ 70 bilhões.

Por que essas projeções importam?

As revisões no Boletim Focus são acompanhadas de perto por investidores, empresas e formuladores de políticas públicas.

Elas influenciam decisões de consumo, crédito e investimento —além de servirem como insumo importante para as ações do próprio Banco Central.

📊 Com a inflação ainda acima da meta e o crescimento econômico limitado, o cenário aponta para um desafio contínuo: equilibrar juros, câmbio e expectativas de mercado em um ambiente de incertezas internas e externas.