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Mercado Livre (MELI34) reportou queda de 12,5% no lucro líquido do quarto trimestre de 2025, ficando abaixo das estimativas do mercado, mas entregou uma receita acima das projeções e viu suas ações reagirem positivamente.
Entre outubro e dezembro, a companhia registrou lucro líquido de US$ 559 milhões, abaixo dos US$ 587 milhões esperados por analistas consultados pela LSEG.
Ainda assim, os papéis negociados na Nasdaq subiam cerca de 2,8% no after market, a US$ 1.978, após já terem fechado o pregão regular com alta de 3%.
Receita acelera com força de Brasil e México
Se o lucro decepcionou, a receita contou outra história. O faturamento avançou aproximadamente 45% na comparação anual, alcançando US$ 8,8 bilhões, acima dos US$ 8,5 bilhões projetados pelo consenso.
Segundo a companhia, o desempenho foi puxado principalmente por Brasil e México, com crescimento de 35% no GMV (valor bruto de mercadorias) em moeda constante nesses mercados.
O lucro operacional (EBIT) somou US$ 889 milhões, praticamente em linha com as estimativas de US$ 891 milhões. No entanto, a margem EBIT recuou de 13,5% para 10,1%, refletindo a compressão causada por investimentos mais agressivos.
Lucro menor, aposta maior
De acordo com Leandro Cuccioli, vice-presidente sênior de Relações com Investidores, a queda do lucro está diretamente ligada à estratégia de reforçar investimentos de longo prazo.
Entre os principais movimentos estão a expansão na emissão de cartões de crédito, que eleva provisões, o aumento do frete grátis e a ampliação das vendas no modelo 1P (vendas diretas ao consumidor).
A carteira de crédito da companhia cresceu cerca de 90% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 12,5 bilhões. A taxa de inadimplência entre 15 e 90 dias ficou em 7,6%, levemente acima dos 7,4% registrados um ano antes. Já o volume total de pagamentos processados no negócio de adquirência subiu aproximadamente 40%.
Margens sob pressão — por enquanto
Analistas e investidores vêm debatendo até que ponto os investimentos do Mercado Livre podem continuar pressionando as margens no curto prazo. A administração, porém, reforça a visão de que o mercado ainda está em fase inicial de desenvolvimento.
“Em termos de futebol, a gente está em 15 minutos do primeiro tempo”, afirmou Cuccioli, ao defender que o potencial de crescimento do e-commerce na região ainda está longe da maturidade.
📈 A leitura do mercado reforça que, apesar da pressão momentânea no lucro, o crescimento robusto de receita e a expansão do ecossistema reforçam a tese de longo prazo da companhia.