Efeito Master? Mastercard (MSCD34) vira acionista de duas empresas da B3

A investida, no entanto, ocorre após a execução de dívidas garantidas em ações.

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Publicado em 21/01/2026 às 10:02h - Atualizado Agora Publicado em 21/01/2026 às 10:02h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Mastercard passou a deter 6,93% do BRB e 31,87% da Westwing (Imagem: Shutterstock)
Mastercard passou a deter 6,93% do BRB e 31,87% da Westwing (Imagem: Shutterstock)
A Mastercard (MSCD34) tornou-se acionista de duas empresas listadas na bolsa brasileira: BRB (BSLI4) e Westwing (WEST3).
A investida, no entanto, não reflete a confiança da gigante global de pagamentos nas companhias brasileiras, e sim uma execução de dívidas.
⚠️ Nos dois casos, a Mastercard informou que a investida se deve à excussão de alienação fiduciária sobre ações. 
Isso significa que a Mastercard tinha pagamentos a receber que eram garantidos por ações do BRB e da Westwing e decidiu tomar essas ações depois que ficou sem receber esse pagamento.
A empresa de cartões não confirmou o nome do devedor, mas as dívidas estariam ligadas ao Will Bank, o banco digital do Banco Master.
O Will Bank foi liquidado pelo BC (Banco Central) nesta quarta-feira (21), depois que deixou de cumprir com obrigações financeiras mantidas com a Mastercard e teve seus cartões excluídos do sistema de pagamentos da empresa de cartões.

O tamanho da investida

💲 Com esse processo, a Mastercard passou a deter 6,93% do BRB e 31,87% da Westing.
Ao todo, a companhia americana passou a deter 33,6 milhões de ações do BRB, sendo 11,75 milhões de ações ordinárias e 21,9 milhões de ações preferenciais, além de 3,5 milhões de ações ordinárias da Westwing.
Considerando a cotação dos papeis no fechamento de terça-feira (20), as participações somam cerca de R$ 255 milhões.
Os papeis ordinários da BRB eram cotados a R$ 6,76 e os ordinários valiam R$ 7,20 no fechamento do último pregão. Já as ações da Westing eram negociadas por R$ 5,38.

Mastercard vai vender ações

A Mastercard não tinha outros investimentos no BRB ou na Westwing antes desse arranjo financeiro e já disse que não pretende ficar com as ações obtidas por meio da execução das dívidas.
Em comunicado, a Mastercard disse que não tem a intenção de manter participação acionária, alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa das duas empresas brasileiras.
Por isso, vai prosseguir com a venda das ações. E, nesse processo, também não pretende exercer os direitos políticos vinculados a esses ativos.
Em nota, a Mastercard disse que mantém diferentes tipos de garantias, como parte de suas atividades de gestão de risco enquanto arranjo de pagamentos regulado. E acrescentou que "essas garantias têm como finalidade exclusiva assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento por parte dos emissores em caso de inadimplemento".

As empresas

🏦 Banco de Brasília, o BRB já havia sido citado em outras polêmicas envolvendo o Banco Master.
A instituição tentou comprar ativos da Master em 2025 e é apontada como um dos destinos das carteiras de crédito falsas criadas pelo banco de Daniel Vorcaro.
Por isso, mudou de comando após as fraudes financeiras virem à tona e traçou um plano para cobrir eventuais prejuízos ligados ao caso Master, o que pode envolver um aporte direto do seu controlador, o governo do Distrito Federal.
📱 Já a Westwing atua com o comércio eletrônico de produtos para casa, como móveis e tem como principal acionista a WNT Gestora De Recursos, que já fez negócios com o Banco Master e Nelson Tanure.
O empresário Nelson Tanure foi citado nas últimas investigações sobre o Master e acabou com os bens bloqueados pela Justiça.