Marcopolo (POMO4) afunda na Bolsa após governo cancelar compra de 7,5 mil ônibus

Por volta das 15h40, os papéis preferenciais recuavam 4,62%, negociados a R$ 6,20, figurando entre as maiores quedas do dia.

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Publicado em 04/02/2026 às 15:56h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 04/02/2026 às 15:56h Atualizado 1 minuto atrás por Matheus Silva
Segundo o FNDE, a decisão não se trata de um cancelamento definitivo do certame (Imagem: Shutterstock)
Segundo o FNDE, a decisão não se trata de um cancelamento definitivo do certame (Imagem: Shutterstock)
🚨 As ações da Marcopolo (POMO4) tiveram forte queda nesta quarta-feira (4), refletindo a frustração do mercado com a decisão do governo federal de cancelar a licitação do programa Caminho da Escola.
Por volta das 15h40, os papéis POMO4 recuavam 4,62%, negociados a R$ 6,20, figurando entre as maiores quedas do dia.
O movimento ocorre após o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) revogar oficialmente o edital do novo ciclo do programa, que previa a compra de cerca de 7,5 mil ônibus escolares
A expectativa em torno desse contrato vinha sendo considerada relevante para a visibilidade de produção da companhia nos próximos anos.

Por que a licitação foi cancelada

Segundo o FNDE, a decisão não se trata de uma simples suspensão, mas de um cancelamento definitivo do certame. O objetivo é adequar o edital a uma nova legislação de isenção tributária, o que exige a elaboração de novos estudos técnicos e jurídicos antes da publicação de um novo chamamento.
Até o momento, não há qualquer cronograma definido para a divulgação de um novo edital. Essa indefinição aumentou a percepção de risco entre investidores, especialmente pelo impacto potencial no fluxo de encomendas da Marcopolo ao longo de 2026.
Na avaliação do Itaú BBA, a decisão é negativa no curto prazo para a Marcopolo. O banco destaca que o cancelamento eleva o risco de um hiato nas entregas do Caminho da Escola justamente em um momento em que a carteira atual de pedidos ligados ao programa começa a se esgotar.
“Embora sigamos confiantes de que um novo conjunto de documentos será publicado e de que o programa deve avançar, o cancelamento aumenta o risco de uma interrupção temporária nas entregas, à medida que o backlog da companhia se encerra”, escreveram os analistas liderados por Gabriel Rezende.

Peso do programa no volume projetado

De acordo com o Itaú BBA, o novo ciclo do Caminho da Escola representa cerca de 10% do volume total projetado para a Marcopolo em 2026. 
Isso significa que qualquer atraso relevante tende a afetar diretamente a visibilidade de produção e de receitas da companhia no próximo ano.
Essa leitura ajuda a explicar a reação imediata e negativa do mercado, que tratou de precificar o aumento de incerteza logo após a confirmação do cancelamento da licitação.

Possíveis amortecedores no radar

Apesar do ruído no curto prazo, o Itaú BBA aponta alguns fatores que podem suavizar parte do impacto. Um deles é o contrato conquistado pela Volkswagen, em parceria com a Marcopolo, para o fornecimento de até 3 mil micro-ônibus ao Ministério da Saúde em 2026 — um programa que não existia em 2025.
Segundo o banco, a expectativa é de que ao menos 700 unidades se convertam em pedidos firmes, o que poderia compensar parcialmente eventuais atrasos relacionados ao Caminho da Escola.

Recomendação mantida, mas alerta reforçado

Mesmo com o episódio, o Itaú BBA manteve recomendação outperform (equivalente à compra) para a Marcopolo, com preço-alvo de R$ 10,00 para o fim de 2026. 
🚍 Ainda assim, o banco ressalta que o cancelamento da licitação evidencia um risco estrutural de dependência da companhia de grandes programas públicos.