Mais uma empresa da B3 deve entrar em recuperação extrajudicial; confira

Lupatech (LUPA3) tenta renegociar uma dívida de R$ 386 milhões com seus credores.

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Publicado em 02/04/2026 às 13:54h Publicado em 02/04/2026 às 13:54h por Marina Barbosa
Lupatech diz que enfrenta um serviço de dívida "impraticável" (Imagem: Shutterstock)
Lupatech diz que enfrenta um serviço de dívida "impraticável" (Imagem: Shutterstock)
Mais uma empresa listada na B3 deve pedir recuperação extrajudicial para renegociar sua dívida: a Lupatech (LUPA3).
💲 A companhia, que fabrica equipamentos para a produção de petróleo e gás, tenta repactuar uma dívida de R$ 386 milhões com seus credores. 
Por isso, apresentou uma minuta do plano de recuperação extrajudicial para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nessa quinta-feira (2).

A dívida da Lupatech

A Lupatech já enfrentou uma recuperação judicial entre 2017 e 2023. Porém, diz que ainda não conseguiu atingir nem metade do nível de atividade esperado quando o processo foi concluído e, por isso, ficou com um serviço de dívida "impraticável".
📈 A empresa tem uma dívida de R$ 386 milhões e prevê que os pagamentos referentes a essa obrigação vão subir progressivamente nos próximos anos, passando dos atuais R$ 15 milhões para R$ 61 milhões por ano em 2033. 
Além disso, afirma que "a sombra de tamanha dívida tornou inviável a captação de novos empréstimos de longo prazo, assim como a obtenção de recursos relevantes pela emissão de ações". Por isso, diz enfrentar uma "crônica insuficiência de capital de giro" e quer renegociar essas obrigações diretamente com seus credores.
"Muito embora o Grupo Lupatech tenha capacidade produtiva para elevar seu faturamento a patamares superiores, e conte com perspectivas positivas no setor de óleo e gás, a sua estrutura de capital atual não permite sustentar o plano de negócios", alertou.

O plano de recuperação

Ao apresentar a proposta de recuperação, a Lupatech propôs a conversão de parte dessa dívida em ações. 
🏭 Além disso, propôs a venda de ativos, inclusive imóveis, unidades industriais e sociedades controladas; a redução da sua estrutura operacional, para redução de custos; a captação de novos recursos financeiros, por meio da emissão de ações, debêntures ou outros títulos; e uma possível reestruturação societária e operacional.
De acordo com a Lupatech, o plano de recuperação extrajudicial pretende, então, atingir cinco objetivos principais:
  • adequar o perfil de endividamento a sua real capacidade de pagamento; 
  • racionalizar o portfólio de negócios e desinvestir ativos para a geração da liquidez necessária ao cumprimento das obrigações reestruturadas;
  • propiciar acesso ao capital necessário para a recuperação das suas atividades empresariais;
  • reorganizar a estrutura societária, visando simplificação e captura de valor;
  • redimensionar a estrutura operacional, com foco em sustentabilidade econômica e geração de valor de longo prazo. 
Para seguir com esse plano, no entanto, a Lupatech ainda precisa costurar um acordo com os credores cobertos pela proposta.

Recuperação extrajudicial

Diferente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial envolve a negociação direta da dívida com os credores e precisa da aprovação de 50% dos envolvidos para seguir adiante. 
De acordo com analistas, é uma forma mais rápida e menos custosa de a empresa renegociar a sua dívida. Não à toa, este também foi o instrumento escolhido por Raízen (RAIZ4) e GPA (PCAR3) para reequilibrar suas contas recentemente.
A Casas Bahia (BHIA3) também fez uso desse instrumento em 2024 e agora está concluindo as medidas de reestruturação.
Vale lembrar, no entanto, que as empresas que enfrentam algum tipo de recuperação têm suas ações excluídas dos índices da B3, como o Ibovespa.

Ações reagem

A Lupatech não integra a atual carteira do Ibovespa, mas não escapou da volatilidade na Bolsa após anunciar o plano de recuperação extrajudicial.
As ações da companhia caem mais de 1% nesta quinta-feira (2) e já acumulam um baque superior a 25% desde o dia 13 de março, quando a Lupatech indicou que entraria em uma nova recuperação para promover o equacionamento das suas obrigações.