Lucro dos bancões cai pela 1ª vez desde a pandemia, sob pressão do BBAS3

Banco do Brasil, Itaú, Santander e Bradesco lucraram juntos R$ 107,8 bilhões em 2025.

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Publicado em 13/02/2026 às 13:58h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 13/02/2026 às 13:58h Atualizado 2 minutos atrás por Marina Barbosa
Lucro dos bancões recuou 4,4% em relação a 2024 (Imagem: Shutterstock)
Lucro dos bancões recuou 4,4% em relação a 2024 (Imagem: Shutterstock)
O lucro combinado dos quatro grandes bancos do país recuou pela primeira vez desde a pandemia de covid-19.
🏦 Juntos, Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) lucraram R$ 107,8 bilhões no acumulado de 2025.
O resultado caiu 4,4% em relação a 2024, quando alcançou R$ 112,7 bilhões, depois de quatro anos consecutivos de alta.
O baque foi registrado mesmo depois de mais um lucro recorde do Itaú e da recuperação dos resultados de Bradesco e Santander.
Ou seja, foi puxado pela deterioração dos resultados do Banco do Brasil, que viu seu lucro encolher 45,4% em 2025.

BB contamina resultado

📉 O Banco do Brasil foi pressionado pelo aumento da inadimplência e das provisões no agronegócio. Por isso, registrou um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões em 2025.
Foi o menor resultado anual da instituição desde 2020, no auge da pandemia de covid-19. E o suficiente para puxar todo o desempenho de todo o setor para baixo.
Veja o lucro combinado dos quatro grandes bancos brasileiros nos últimos anos:
  • 2019: R$ 86,6 bi;
  • 2020: R$ 65,7 bi;
  • 2021: R$ 90,4 bi;
  • 2022: R$ 96,3 bi;
  • 2023: R$ 96,8 bi;
  • 2024: R$ 112,7 bi;
  • 2025: R$ 107,8 bi.

Bradesco ultrapassa BB

📊 Com o baque dos resultados, o Banco do Brasil ainda foi ultrapassado pelo Bradesco em termos de lucratividade.
Afinal, enquanto o BB tentava contornar a crise do agronegócio, o Bradesco acelerou o seu processo de recuperação.
O banco privado ampliou as receitas de serviços e a carteira de crédito, enquanto tentava manter as despesas sob controle. E, com isso, lucrou R$ 24,6 bilhões em 2025.
O resultado do Bradesco disparou 26,1% em relação a 2024, ostentando a maior taxa de crescimento dos bancões.
O Santander também manteve uma trajetória de recuperação e, com isso, voltou a lucrar mais de R$ 15 bilhões ao ano.
Já o Itaú entregou mais um lucro recorde, assegurando a liderança isolada entre os bancões.
Compare o lucro dos bancões em 2025:
  • Itaú: R$ 46,8 bi, +13,1%;
  • Bradesco: R$ 24,6 bi, +26,1%;
  • Banco do Brasil: R$ 20,7 bi, -45,4%;
  • Santander: R$ 15,6 bi, +12,6%.

O que esperar de 2026?

💲 O grandes bancos projetam lucros maiores para 2026, apoiados sobretudo pela perspectiva de queda da taxa básica de juros e da manutenção de uma abordagem seletiva no mercado de crédito.
De acordo com analistas, as projeções do Itaú apontam para uma alta de 9% do lucro, o que significa um novo lucro recorde, de aproximadamente R$ 51 bilhões.
Já o guidance do Bradesco sugere um crescimento de 11,4%, o que levaria o lucro para R$ 27,5 bilhões e deixaria a instituição ainda acima do Banco do Brasil.
O BB espera ampliar o seu resultado entre 15% e 26% em 2026, o que significa um lucro líquido ajustado anual entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. 
Ou seja, o BB espera que o resultado deste ano cresça em relação a 2025, mas ainda fique significativamente abaixo do patamar recorde de R$ 37,9 bilhões observado em 2024.
O Santander não apresenta um guidance, mas espera manter o crescimento da carteira de crédito, sobretudo em segmentos de maior rentabilidade, e começar a reduzir a inadimplência.

O que fazer com as ações?

🔎 Após a temporada de balanços dos bancões, o Itaú segue como o preferido dos analistas.
Já as recomendações para as ações de Bradesco e Santander variam, enquanto a cautela com os papeis do Banco do Brasil permanece, apesar dos resultados acima do esperado do quarto trimestre.
Diretor-executivo do Research do BTG Pactual, Bruno Henriques explicou que o investidor deve observar não apenas os resultados e as projeções dos bancos, mas também o movimento recente das ações.
"A pergunta central não é quem lucrou mais, mas sim onde há espaço adicional para valorização e onde o preço antecipou demais a melhora", afirmou.
Na avaliação do BTG, Bradesco e Santander apresentaram sinais importantes de recuperação, mas boa parte dessa melhora já está precificada nas ações. Por isso, o BTG vê um espaço limitado para altas adicionais e mantém uma recomendação neutra para os papeis.
A recomendação também é neutra para as ações do Banco do Brasil, devido à percepção de que a recuperação dos resultados da instituição deve demorar.
O Itaú é, então, o único bancão que ainda tem uma recomendação de compra do BTG após a temporada de balanços do quarto trimestre de 2025.
Contudo, nem todas as casas são tão cautelosas. O Santander ainda é compra para a XP, enquanto Bradesco está na lista de recomendações dos analistas da Genial Investimentos, UBS BB e Citi, entre outros.
No caso do Banco do Brasil, a maior parte dos analistas mantém uma postura neutra. Mas, no site de Relações com Investidores, o banco informa que 2 das 14 casas que cobrem o papel ainda recomendam a compra.