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Bradesco (BBDC4) reportou lucro recorrente de R$ 6,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, crescimento de 20,6% na comparação anual, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (05).
O resultado ficou acima do consenso da Bloomberg, que projetava lucro de R$ 6,3 bilhões para o período, reforçando a percepção de que o banco começa a colher os frutos de um longo processo de ajuste.
O desempenho confirma uma melhora gradual, mas consistente, após um período difícil marcado por rentabilidade abaixo dos pares, pressão na inadimplência e dúvidas sobre a capacidade do banco de recuperar eficiência operacional.
Estratégia conservadora começa a dar resultado
Depois de anos de crescimento mais agressivo e deterioração na qualidade dos ativos, o Bradesco adotou uma postura mais cautelosa ao longo de 2025.
A prioridade passou a ser o controle de risco e a melhora da carteira de crédito, mesmo que isso significasse abrir mão de expansão mais forte no curto prazo.
Essa estratégia, frequentemente descrita pelo CEO Marcelo Noronha como um crescimento “step by step”, parece começar a funcionar. O banco reduziu a exposição a segmentos mais problemáticos, ajustou políticas de crédito e reforçou a disciplina na concessão, criando uma base mais saudável para sustentar resultados no médio prazo.
Não por acaso, após uma sequência prolongada de desempenho fraco, as ações do banco acumularam forte valorização ao longo de 2025, refletindo a recuperação gradual da confiança dos investidores e analistas.
Rentabilidade volta a ganhar tração
Um dos principais destaques do balanço foi a evolução do
ROE (retorno sobre o patrimônio líquido). No quarto trimestre, a rentabilidade atingiu 15,2%, avanço de 2,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior e de 0,5 ponto percentual na comparação trimestral.
Com a
Selic em 15%, o Bradesco voltou a superar o próprio custo de capital, um marco importante dentro da tese de recuperação. Isso sinaliza que o banco começa a gerar valor econômico novamente para seus acionistas, após um período em que a rentabilidade esteve comprimida.
Ainda assim, o Bradesco segue atrás de alguns concorrentes. O
Santander (SANB11) encerrou o período com ROE de 17,6%, enquanto o
Itaú Unibanco (ITUB4) manteve a liderança do setor, com retorno de 24,4%.
Banco acelera recuperação com crédito e margens em alta
Além do avanço no lucro e na rentabilidade, o quarto trimestre de 2025 mostrou uma retomada mais clara do crescimento do balanço do Bradesco.
A carteira de crédito expandida chegou a R$ 1,089 trilhão, alta de 11% na comparação anual e avanço de 5,3% frente ao trimestre anterior, sinalizando inflexão após um longo período de ajuste.
Do total, R$ 466 bilhões correspondem à carteira de pessoa física e R$ 622 bilhões à de pessoa jurídica, com crescimento relativamente equilibrado entre os segmentos.
A margem financeira bruta atingiu R$ 19,2 bilhões, crescimento de 13,2% em base anual. A margem com clientes somou R$ 19,1 bilhões, alta de 18,4%, refletindo maior volume de crédito e melhora no mix de operações.
Já a margem financeira líquida totalizou R$ 10,4 bilhões, avanço de 17,7% em um ano e 9,3% no trimestre.
📊 Para 2026, o Bradesco projeta crescimento de 8,5% a 10,5% na carteira de crédito, mantendo a estratégia de expansão com disciplina de risco.