Itaú, Bradesco, BB e Santander: Quem vai brilhar e quem pode decepcionar no 4T25

Os analistas veem um setor financeiro resiliente, com diferenças cada vez mais claras entre os desempenhos dos bancos brasileiros.

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Publicado em 27/01/2026 às 11:58h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 27/01/2026 às 11:58h Atualizado 2 minutos atrás por Matheus Silva
O Santander Brasil será o primeiro grande banco a divulgar os números do 4T25 (Imagem: Shutterstock)
O Santander Brasil será o primeiro grande banco a divulgar os números do 4T25 (Imagem: Shutterstock)
💰 A temporada de balanços do 4T25 dos grandes bancos brasileiros começa nos primeiros dias de fevereiro e promete trazer sinais importantes sobre a dinâmica do crédito, a rentabilidade e as perspectivas para 2026.
Embora o cenário macroeconômico ainda imponha desafios, analistas veem um setor financeiro resiliente, com diferenças cada vez mais claras entre os desempenhos de Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3).
A seguir, o Investidor10 resumiu em uma análise detalhada sobre o que o mercado espera de cada instituição, com base nas avaliações de casas como Itaú BBA, Goldman Sachs e Bradesco BBI.

Itaú Unibanco segue como referência de rentabilidade

O Itaú Unibanco entra na temporada de resultados mantendo o status de banco mais rentável do sistema financeiro nacional
As projeções apontam para mais um trimestre de crescimento de lucros, sustentado principalmente pelo avanço das receitas de tarifas, volumes de crédito resilientes e controle rigoroso de custos.
Mesmo com alguma pressão sobre a margem financeira líquida, o Itaú deve apresentar crescimento moderado da carteira de empréstimos e provisões sob controle. 
O Goldman Sachs destaca que o banco segue apresentando forte alavancagem operacional, com despesas crescendo em ritmo inferior ao das receitas, o que sustenta um ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) elevado e consistente.
Para os analistas, o Itaú continua sendo o ponto fora da curva entre os bancões, combinando escala, eficiência e qualidade de ativos. 
Essa combinação reforça a percepção de menor risco e maior previsibilidade dos resultados, especialmente em um ambiente de transição do ciclo monetário.

Bradesco mostra evolução mais consistente

O Bradesco aparece como um dos destaques positivos do 4T25. O Itaú BBA avalia que o banco deve entregar um trimestre mais consistente, com melhora sequencial do lucro e avanço gradual da rentabilidade.
A expectativa é de expansão da carteira de crédito, estabilidade das margens ajustadas ao risco e inadimplência sob controle. O desempenho das áreas de serviços e seguros deve ajudar a compensar os investimentos contínuos em tecnologia e despesas administrativas.
O Goldman Sachs reconhece a evolução do Bradesco, mas alerta que a contribuição do segmento de seguros pode ser mais fraca no curto prazo, além de apontar riscos relacionados ao ritmo de crescimento das despesas operacionais. 
Ainda assim, a percepção geral é de que o banco avança em um processo de recuperação gradual, com melhora da eficiência e do retorno ao acionista.

Santander Brasil deve manter estabilidade

📊 O Santander Brasil será o primeiro grande banco a divulgar os números do 4T25. As projeções indicam um trimestre marcado por estabilidade operacional, com crescimento moderado da carteira de crédito e margens pressionadas pela área de tesouraria.
As receitas de tarifas tendem a crescer, impulsionadas por volumes sazonais mais altos em cartões e seguros, enquanto a qualidade dos ativos deve permanecer relativamente estável. 
Por outro lado, despesas operacionais mais elevadas e uma alíquota efetiva de imposto maior podem limitar o avanço do lucro líquido.
Analistas avaliam que o Santander segue com um ROE intermediário entre os grandes bancos, mantendo um perfil defensivo, mas com menor potencial de surpresa positiva quando comparado a Itaú e Bradesco.

Banco do Brasil concentra as maiores incertezas

O Banco do Brasil entra na temporada como o nome que inspira mais cautela. Tanto o Itaú BBA quanto o Goldman Sachs projetam um desempenho inferior ao dos pares, refletindo custos de crédito ainda elevados e desafios persistentes na rentabilidade.
O principal ponto de atenção segue sendo a carteira de crédito rural, que continua pressionando as provisões. Além disso, analistas observam aumento das despesas operacionais e dificuldades para expandir margens de forma consistente no curto prazo.
Apesar disso, há expectativa de alguma recuperação ao longo de 2026, especialmente na segunda metade do ano, caso o cenário macroeconômico se torne mais favorável e o custo do crédito apresente alívio gradual.
Ainda assim, o Banco do Brasil deve continuar apresentando ROE significativamente abaixo dos demais bancões.

O que o mercado vai observar nos balanços

💲 Além dos números do 4T25, os investidores estarão atentos principalmente às mensagens dos bancos sobre 2026. 
O foco estará nas projeções de crescimento da receita líquida de juros em um ambiente de possível flexibilização monetária, na eficiência operacional e na trajetória das provisões.
Enquanto Itaú e Bradesco entram na temporada com maior confiança do mercado, Santander deve confirmar estabilidade e o Banco do Brasil precisará mostrar sinais mais claros de controle de riscos para reduzir o desconto em relação aos pares.