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Ibovespa (IBOV) derrete mais de 4% aos 182 mil pontos nesta terça-feira (3) no 4º dia de
guerra no Oriente Médio. Às 12h04, horário de Brasília, o principal índice da B3 recauva 4,23%, aos 181.303,53 mil pontos. O
dólar, por outro lado, disparava e subia 2,25% a R$ 5,28. Lá fora, o cenário também era turbulento com os mercados em Nova York perdendo mais de 2%:
Na outra ponta, o
IFIX, principal índice de fundos imobiliários, subia 0,69% aos 3.911,99 mil pontos. As principais criptomoedas (
BTC e
ETH) escaparam da queda global das bolsas e recuavam 1,45% e 0,35%, respectivamente.
O que mexe com o mercado
Mais um dia de guerra mantém os investidores em alerta. A situação do
Estreito de Ormuz segue no centro das atenções nesta terça-feira (3). Mais cedo, inclusive, o barril de petróleo ultrapassou os US$ 85 e atingiu o valor mais alto desde 2024.
Como pano de fundo doméstico, os
números do PIB trouxeram um contraponto. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025. Para Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP:
“O PIB mostrou forte variação ao longo do primeiro semestre, em função da super safra agrícola, que beneficiou principalmente Soja e Milho e do avanço na indústria extrativa, especialmente no Petróleo. Além disso, o mercado de trabalho aquecido e os repasses fiscais contribuíram para sustentar setores que seriam mais influenciados negativamente pela política monetária", disse.
Petróleo no centro da turbulência
O mercado de commodities, especialmente o petróleo, concentra as maiores reações desde o início dos ataques militares dos EUA/Israel ao Irã, disse Mônica Araújo, Economista-Chefe da InvestSmart XP.
Ela pondera, porém, que o efeito pode ir além do óleo: “Mas não deve ser o único mercado a refletir o aumento das tensões na região e o risco de ampliação do conflito, desta vez também deveremos observar volatilidade nos preços dos fertilizantes e do segmento de carnes, este com a possibilidade de fechamento de alguns mercados importadores importantes", explicou.
Ganhos e pressões no Brasil
Sérgio Albuquerque, Gerente Sênior da Peers Consulting & Technology, reforça que a recente disparada do Brent tem forte componente geopolítico.
Já no transporte, os reflexos tendem a ser mais imediatos. “No frete, o impacto tende a ser mais intenso no transporte marítimo de longo curso, onde combustível, seguro e possíveis desvios de rota elevam tarifas de forma mais imediata, aumentando o custo de importações e ampliando a volatilidade nos preços internacionais.”
Para o Brasil, o cenário é desigual entre setores. “No petróleo, o movimento é positivo para empresas produtoras como a
Petrobras (PETR4), com reflexo já observado na valorização das ações. No agro, o impacto tende a ser negativo porque o petróleo mais caro eleva custos de transporte, diesel e insumos importados como fertilizantes, pressionando margens.”
Ainda assim, ele ressalta um possível efeito compensatório: “Contudo um ambiente mais arriscado e um aumento do custos de energia podem eventualmente gerar, como efeito de segunda ordem, um aumento dos preços das commodities no mercado internacional, o que poderia compensar o impacto inicial.”