Por 6 votos a 3, a Corte concluiu que a Constituição reserva ao Congresso a prerrogativa de instituir tributos, incluindo tarifas, retirando do Executivo essa competência.
Com isso, o
dólar comercial caiu 0,98% e fechou na casa de R$ 5,17, renovando a mínima desde maio de 2024.
O
Ibovespa (IBOV) avançou 1,06%, aos 190.534 pontos, encerrando acima dos 190 mil pela primeira vez na história. Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,47%, o S&P 500 ganhou 0,69% e o Nasdaq avançou 0,90%.
A decisão foi interpretada como um alívio relevante sobre as tensões comerciais globais. Além disso, o episódio reforçou a percepção de freios institucionais ao poder presidencial, o que limita políticas fiscais expansionistas potencialmente inflacionárias.
Para exportadores brasileiros como
Vale (VALE3) e
Petrobras (PETR4), o ambiente de menor protecionismo também é visto como positivo, ao sustentar a demanda global por commodities.
Tarifas geravam receita, mas elevavam incertezas
As tarifas defendidas por Trump vinham sendo apresentadas como instrumento de consolidação fiscal.
Somente até o fim de janeiro de 2026, haviam gerado US$ 118 bilhões em receita, contra US$ 28 bilhões no mesmo período do ano anterior. No longo prazo, poderiam reduzir o déficit em até US$ 3 trilhões, segundo estimativas.
Com a derrubada das medidas, parte dessa receita potencial desaparece, o que pode pressionar juros longos nos EUA.
Ainda assim, analistas avaliam que o principal vetor de risco fiscal americano segue sendo a trajetória estrutural de gastos e crescimento, não as tarifas.
Novo anúncio de Trump não reverteu o rali
A medida pode vigorar por até 150 dias e atinge todos os países, sendo adicional às tarifas já existentes.
Apesar do novo anúncio, os mercados mantiveram e até aceleraram os ganhos. A leitura predominante foi de que a nova tarifa é temporária, mais limitada e sujeita a prazos legais claros.
Investigações sob a Seção 301, também anunciadas, costumam levar meses, o que reduz o risco de mudanças abruptas no curto prazo.
Para estrategistas, o cenário mais provável agora é de recalibração, e não de revogação completa da política tarifária. Caso o resultado seja um ambiente mais previsível e menos sujeito a manchetes abruptas, isso pode sustentar o apetite por risco global.
Impacto para o Brasil
Para Gustavo Sung, da Suno Research, a decisão da Suprema Corte trouxe alívio aos emergentes ao sustentar fluxos comerciais e demanda por commodities.
O movimento consolidou um dia histórico para a Bolsa brasileira. O Ibovespa rompeu a marca simbólica dos 190 mil pontos, o real ganhou força e o fluxo para mercados emergentes voltou a se intensificar.
📈 O próximo capítulo dependerá da evolução das medidas comerciais nas próximas semanas, mas, por ora, o mercado optou pelo alívio.