Ibovespa atinge 190 mil e renova recorde após decisão contra Trump

O índice avançou 1,06%, aos 190.534 pontos, encerrando acima dos 190 mil pela primeira vez na história.

Author
Publicado em 20/02/2026 às 18:45h - Atualizado 9 horas atrás Publicado em 20/02/2026 às 18:45h Atualizado 9 horas atrás por Matheus Silva
Já o dólar caiu 0,98% e fechou na casa de R$ 5,17 (Imagem: Shutterstock)
Já o dólar caiu 0,98% e fechou na casa de R$ 5,17 (Imagem: Shutterstock)
🚨 O mercado reagiu com força à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que limitou o poder do presidente Donald Trump de impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). 
Por 6 votos a 3, a Corte concluiu que a Constituição reserva ao Congresso a prerrogativa de instituir tributos, incluindo tarifas, retirando do Executivo essa competência.
Com isso, o dólar comercial caiu 0,98% e fechou na casa de R$ 5,17, renovando a mínima desde maio de 2024. 
O Ibovespa (IBOV) avançou 1,06%, aos 190.534 pontos, encerrando acima dos 190 mil pela primeira vez na história. Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,47%, o S&P 500 ganhou 0,69% e o Nasdaq avançou 0,90%.
A decisão foi interpretada como um alívio relevante sobre as tensões comerciais globais. Além disso, o episódio reforçou a percepção de freios institucionais ao poder presidencial, o que limita políticas fiscais expansionistas potencialmente inflacionárias. 
Para exportadores brasileiros como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), o ambiente de menor protecionismo também é visto como positivo, ao sustentar a demanda global por commodities.

Tarifas geravam receita, mas elevavam incertezas

As tarifas defendidas por Trump vinham sendo apresentadas como instrumento de consolidação fiscal. 
Somente até o fim de janeiro de 2026, haviam gerado US$ 118 bilhões em receita, contra US$ 28 bilhões no mesmo período do ano anterior. No longo prazo, poderiam reduzir o déficit em até US$ 3 trilhões, segundo estimativas.
Com a derrubada das medidas, parte dessa receita potencial desaparece, o que pode pressionar juros longos nos EUA. 
Ainda assim, analistas avaliam que o principal vetor de risco fiscal americano segue sendo a trajetória estrutural de gastos e crescimento, não as tarifas.

Novo anúncio de Trump não reverteu o rali

Poucas horas após a decisão, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base na Seção 122 da Lei Comercial de 1974. 
A medida pode vigorar por até 150 dias e atinge todos os países, sendo adicional às tarifas já existentes.
Apesar do novo anúncio, os mercados mantiveram e até aceleraram os ganhos. A leitura predominante foi de que a nova tarifa é temporária, mais limitada e sujeita a prazos legais claros. 
Investigações sob a Seção 301, também anunciadas, costumam levar meses, o que reduz o risco de mudanças abruptas no curto prazo.
Para estrategistas, o cenário mais provável agora é de recalibração, e não de revogação completa da política tarifária. Caso o resultado seja um ambiente mais previsível e menos sujeito a manchetes abruptas, isso pode sustentar o apetite por risco global.

Impacto para o Brasil

Para Gustavo Sung, da Suno Research, a decisão da Suprema Corte trouxe alívio aos emergentes ao sustentar fluxos comerciais e demanda por commodities. 
O movimento consolidou um dia histórico para a Bolsa brasileira. O Ibovespa rompeu a marca simbólica dos 190 mil pontos, o real ganhou força e o fluxo para mercados emergentes voltou a se intensificar. 
📈 O próximo capítulo dependerá da evolução das medidas comerciais nas próximas semanas, mas, por ora, o mercado optou pelo alívio.