🚨 Os juros futuros negociados na
B3 (B3SA3) fecharam mais uma sessão de alta expressiva nesta sexta-feira (6), em movimento que colocou em xeque o corte de 0,5 ponto percentual da
taxa Selic esperado para a reunião de março do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.
Antes considerado quase certo, o corte de meio ponto agora é chance minoritária na precificação da curva a termo. Há participantes do mercado que já consideram a possibilidade de o Copom manter os juros inalterados.
Ao fim dos negócios, a taxa do DI para janeiro de 2027 subiu de 13,505% para 13,67%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 13,079% para 13,3%, e o DI para janeiro de 2031 saltou de 13,469% para 13,715%.
Petróleo e Estreito de Ormuz no centro das preocupações
O principal vetor de pressão sobre os juros é a escalada do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os
preços do petróleo. O barril do Brent para maio atingiu US$ 92,63, levando agentes do mercado a revisar estimativas de
inflação e a reavaliar o horizonte de curto prazo para a política monetária brasileira.
Marcelo Fonseca, economista do Grupo CVPAR, apontou que o escoamento pelo Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo produzido no mundo, ainda não foi retomado. Ataques iranianos a refinarias de outros países da região também comprometem a oferta da commodity.
"O DI tem volatilidade muito grande quando eventos assim acontecem. A liquidez desaparece e o mercado fica unidirecional. Dificilmente vai surgir muita gente querendo tomar a ponta contrária neste momento", afirmou.
Semana de abertura forte na curva de juros
No acumulado semanal, a curva acentuou a inclinação e registrou expressivo deslocamento para cima. O DI para janeiro de 2027 subiu 39 pontos percentuais na semana, enquanto o DI para janeiro de 2029 saltou 65 pontos percentuais e o de janeiro de 2031 disparou 68 pontos percentuais.
Segundo apuração do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, um economista de uma grande tesouraria avaliou que os juros futuros apresentaram dinâmica pior do que os demais ativos nesta sexta (6).
"Parece mais técnico, com pessoal 'stopando' mais o DI", disse, referindo-se a investidores que estavam posicionados para queda das taxas e decidiram zerar posições para evitar maiores perdas, movimento que reforça ainda mais a abertura dos vértices. Para ele, "se continuar assim, é um corte de 25 pontos, ou zero."
Economistas divergem sobre o tamanho do corte em março
Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, calculou que a curva precificava nesta tarde cerca de 65% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual da Selic em março, ante 50% na quinta-feira (5).
📊 A taxa apontada para o fim de 2026 subiu a 12,95%. "Sigo prevendo corte de 50 pontos-base em março. Mas pode ser 25 pontos a depender dos próximos dias", ponderou Serrano.