Guerra no Irã destaca empresas brasileiras com 'sabor' de renda fixa; veja lista

Relatório do Bank of America destrincha como 'ações bond proxies' na B3 devem reagir ao conflito no Oriente Médio.

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Publicado em 09/03/2026 às 16:20h - Atualizado 16 horas atrás Publicado em 09/03/2026 às 16:20h Atualizado 16 horas atrás por Lucas Simões
Duração da guerra é determinante para recomendação dos analistas em ações brasileiras (Imagem: Shutterstock)
Duração da guerra é determinante para recomendação dos analistas em ações brasileiras (Imagem: Shutterstock)
Quem já investe em bolsa de valores há um bom tempo já deve ter notado que algumas empresas brasileiras têm um comportamento semelhante aos títulos de renda fixa, as quais recebem o apelido de "ações bond proxies". Diante da guerra no Irã, os analistas do Bank of America revisitaram a tese e mostram como cada negócio tende a reagir.
Por razões óbvias, as empresas de utilidade pública tendem a ter um comportamento bastante defensivo, semelhante à previsibilidade do CDI que segue a taxa Selic. Caso um cenário de estagflação surja por conta dos conflitos armados prolongados, são as companhias elétricas e empresas de saneamento na B3 que devem vir a calhar.
Logo, os analistas do Bank of America recomendam os seguintes nomes no setor: Axia Energia (AXIA3) e Equatorial (EQTL3), dadas suas correlações com preços de energia e cotações de gás negociadas nos Estados Unidos. Fora que ambas contam com reajustes tarifários periódicos que tancam períodos inflacionários.
Embora o ramo das telecomunicações seja sinônimo de bons dividendos e segurança na carteira de diversos investidores de longo prazo, o relatório do banco americano demonstra preocupação com as teses da Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM S.A. (TIMS3) diante das questões geopolíticas acirradas no Oriente Médio.
"VIVT3 e TIMS3 já refletem em 2026 grande parte das premissas positivas após a recente valorização [+71% e +75% nos últimos 12 meses, respectivamente, segundo dados do Investidor10] e oferecem retorno implícito limitado, além de apresentarem sensibilidade negativa a cenários de inflação mais elevada", pondera o Bank of America.
Mesmo se o emaranhado de fios entre EUA e Irã chegasse a uma solução mais rápida, pavimentando um ciclo de cortes da taxa Selic mais robusto ainda em 2026, os analistas esperam que as empresas de telecomunicações tendam a se comportar como ativos de baixo beta, capturando menos valorização do que setores mais cíclicos. 

Ações brasileiras com 'sabor' renda fixa

Acompanhe a seguir o que os analistas do Bank of America esperam de uma seleção de empresas brasileiras sob a ótica dos cenários mais prováveis sobre a guerra no Irã: 
  • Allos (ALOS3): Dividend yield de quase 12% e o melhor nome no setor de shoppings, favorável em cenário de cortes da Selic
  • Axia Energia (AXIA3): Defensiva em cenário de estagflação e guerra prolongada
  • Ecorodovias (ECOR3): Valuation atrativo, resiliente em cenários adversos e tende a ganhar mais com queda da Selic
  • Equatorial (EQTL3): Defensiva em cenário de estagflação e guerra prolongada
  • Motiva (MOTV3): Defensiva em cenário de estagflação, mas com menor potencial que ECOR3 durante cortes da Selic