Greve histórica paralisa JBS (JBSS3) nos EUA pela 1ª vez em 40 anos

A categoria declarou greve de duas semanas e condicionou o retorno ao trabalho ao início de negociações justas com a JBS.

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Publicado em 17/03/2026 às 09:04h - Atualizado 6 minutos atrás Publicado em 17/03/2026 às 09:04h Atualizado 6 minutos atrás por Matheus Silva
Os funcionários cruzaram os braços por causa de aumentos salariais (Imagem: Shutterstock)
Os funcionários cruzaram os braços por causa de aumentos salariais (Imagem: Shutterstock)
🚨 Funcionários da JBS (JBSS3) iniciaram nesta segunda-feira (16) uma greve na fábrica de processamento de carne da empresa em Greeley, no Colorado, nos Estados Unidos. 
O sindicato que representa cerca de 3.800 trabalhadores da unidade classificou a paralisação como a primeira greve de frigorífico nos EUA em quatro décadas. 
Os trabalhadores anunciaram mobilização por duas semanas e afirmaram que permanecerão em greve até que a JBS negocie de forma justa.
Os funcionários cruzaram os braços por causa de aumentos salariais que, segundo o sindicato, não acompanham a inflação, e pelo pagamento cobrado pela empresa por equipamentos de segurança. 
"Queremos ser tratados como seres humanos", afirmou a funcionária Deborah Rodarte em comunicado do sindicato.
A JBS, por sua vez, afirmou que fez uma oferta justa e que planejava operar em apenas um dos dois turnos nesta segunda-feira. 
"Esta manhã, muitos membros da equipe da JBS Greeley optaram por se apresentar ao trabalho em vez de participar da greve convocada pelo UFCW Local 7, e esperamos que esse número continue aumentando nos próximos dias", disse a porta-voz da empresa, Nikki Richardson.

Greve agrava crise no setor de carne bovina americana

A paralisação chega em momento delicado para o mercado de carne bovina dos EUA. Os preços de varejo da carne moída 100% bovina atingiram recorde de US$ 6,70 por libra no mês passado, alta de cerca de 17% frente ao ano anterior, segundo dados do governo americano. 
A disparada dos preços reflete uma seca prolongada que levou pecuaristas a reduzir seus rebanhos ao menor nível em 75 anos, comprimindo a oferta disponível para abate.
A greve reduz ainda mais a capacidade de processamento de carne bovina nos EUA, em um setor já pressionado pelo fechamento de uma fábrica da Tyson Foods em Nebraska e pela redução de operações em outra unidade da empresa no Texas.

JBS tem pouco incentivo para resolver greve rapidamente, diz economista

Paradoxalmente, a escassez de gado pode reduzir a pressão sobre a JBS para encerrar a disputa rapidamente. 
No mês passado, os processadores de carne nos EUA perdiam mais de US$ 300 por cabeça em cada animal abatido, segundo o serviço de consultoria HedgersEdge.com. 
Nesta segunda-feira (16), o lucro estimado era de cerca de US$ 60 por cabeça, com melhora recente das margens atribuída à pressão da iminência da greve sobre os preços do gado.
"Por que você teria pressa se já está perdendo dinheiro com o funcionamento da fábrica?", questionou Altin Kalo, economista do Steiner Consulting Group.
Para lidar com a paralisação, a JBS informou que transferirá a produção para outras instalações com capacidade excedente. O Departamento de Agricultura dos EUA afirmou que está monitorando o impacto da greve sobre o suprimento de carne bovina do país.

Setor concentra poder e pecuaristas buscam alternativas

Com a redução de capacidade no setor, os frigoríficos ganham mais poder de influência sobre os preços do gado, segundo analistas. 
📊 Alguns pecuaristas já redirecionaram remessas para outras instalações durante a disputa. Do lado do consumidor, parte da demanda migrou para tipos de carne mais baratos, embora analistas afirmem que o apetite por carne bovina permanece robusto nos EUA.