Fed vê inflação difícil de ceder e mercado aposta em juros parados em abril

A ata mostrou cautela diante da inflação e do choque do petróleo, com mercado apostando na chance de manutenção dos juros em abril.

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Publicado em 08/04/2026 às 16:35h Publicado em 08/04/2026 às 16:35h por Matheus Silva
O Fomc manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano (Imagem: Shutterstock)
O Fomc manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano (Imagem: Shutterstock)
🚨 A ata da reunião de março do Fed (Federal Reserve), divulgada nesta quarta-feira (8), revela um tom mais cauteloso do banco central americano diante da combinação de inflação persistente, choque externo nos preços de energia e sinais mistos na atividade econômica. 
O Fomc manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, decisão que não foi unânime.
Segundo o documento, "a inflação permanece acima da meta de 2%", com progresso limitado no processo de desinflação nos últimos meses. O PCE, índice de preços preferido pelo Fed, avançava 2,8% em 12 meses até janeiro, enquanto o núcleo permanecia próximo de 3%, ambos considerados elevados pelo comitê.

Choque do petróleo eleva riscos inflacionários de curto prazo

A escalada do conflito no Oriente Médio tornou o cenário mais incerto. A ata destaca que a forte alta nos preços do petróleo elevou as expectativas de inflação no curto prazo e aumentou os riscos de que as pressões sobre os preços se prolonguem por mais tempo, especialmente em caso de um choque mais persistente.
As pressões inflacionárias continuam vindo, em parte, dos bens, influenciados por tarifas, enquanto os serviços mostram desaceleração gradual, com destaque para o componente de habitação. Ainda assim, diversos dirigentes avaliam que a convergência para a meta pode ser mais lenta do que o esperado.
No mercado de trabalho, o diagnóstico segue de equilíbrio, com taxa de desemprego em 4,4%. O ritmo de criação de vagas, porém, permaneceu fraco, e alguns membros do comitê destacaram sinais de possível perda de fôlego, em meio à incerteza econômica e aos potenciais impactos de novas tecnologias, como a inteligência artificial, sobre o emprego.
A atividade econômica segue resiliente, sustentada pelo consumo e pelo investimento, especialmente no setor de tecnologia. Ainda assim, o Fomc passou a atribuir maior peso aos riscos de baixa, em um ambiente de condições financeiras ainda restritivas e incerteza global crescente.

Decisão não foi unânime, Miran defendeu corte de 0,25 ponto

Quase todos os dirigentes apoiaram a manutenção dos juros, avaliando que a política monetária já se encontra próxima de um nível neutro. 
A única voz dissidente foi a de Stephen Miran, que defendeu um corte de 0,25 ponto percentual, citando preocupações com a fraqueza do mercado de trabalho.

Fed não descarta altas ou cortes nos próximos passos

O Federal Reserve reforçou que a política monetária "não está em um curso pré-determinado" e seguirá dependente dos dados. 
A ata mostra uma comunicação equilibrada, com dirigentes destacando a necessidade de manter abertas diferentes possibilidades para os próximos passos. Cortes de juros podem ocorrer caso a inflação recue conforme o esperado, mas o documento também não descarta novas altas se as pressões persistirem.
📊 Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, o mercado aposta em 99,5% de probabilidade de manutenção dos juros na faixa atual na próxima reunião, marcada para 29 de abril. Há ainda 0,5% de chance precificada para uma alta para a faixa de 3,75% a 4%.