O negócio foi aprovado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), depois de ser questionado na Justiça pelo fundo Phoenix, do empresário Nelson Tanure.
O que aconteceu?
💲 A Sabesp anunciou em outubro de 2025 um acordo para comprar 70,1% do capital social da Emae, por um total de R$ 1,13 bilhão.
O negócio, no entanto, foi questionado pelo fundo Phoenix, que havia comprado a Emae em um leilão realizado em 2024.
Isso porque a Sabesp conduziu a negociação com o Vórtx, o agente fiduciário que passou a deter ações da Emae após o vencimento antecipado de debêntures emitidas pelo Phoenix.
O recurso do fundo de Tanure, no entanto, foi negado por unanimidade pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) nesta terça-feira (20).
A avaliação do Cade e da Aneel
⚖️ O relator do processo no Cade, José Levi Mello do Amaral, entendeu que a empresa não detém legitimidade para recorrer, já que não foi reconhecida como um terceiro interessado pela Superintendência-geral do Cade. Além disso, entendeu que a operação não deve prejudicar a concorrência nos mercados envolvidos.
Diante disso, Levi decidiu pelo não conhecimento do recurso do Phoenix e ainda confirmou a aprovação do negócio, sem restrições. O voto foi seguido pelos demais conselheiros do Cade.
A compra da Emae pela Sabesp ainda foi aprovada pela Aneel nesta terça-feira (20), após o diretor Gentil Nogueira considerar improcedentes os pedidos do Phoenix.
A decisão da Aneel também levou em conta os seguintes requisitos legais: capacidade técnica, idoneidade financeira, regularidade jurídica e fiscal e compromisso com o contrato vigente, sem impedimentos técnicos e concorrenciais.
O objetivo da Sabesp
A Emae é a Empresa Metropolitana de Água e Eletricidade de São Paulo. Por isso, a Sabesp prevê benefícios em duas frentes complementares a partir dessa aquisição:
- Segurança hídrica: a integração dos sistemas Guarapiranga e Billings permitirá maior flexibilização na gestão de recursos hídricos da Região Metropolitana de São Paulo, ampliando a segurança hídrica do abastecimento e potencializando os usos múltiplos desses mananciais;
- Ativos elétricos: a Emae conta com um portfólio de ativos elétricos com geração de caixa sólida, apoiado por contratos de receita de longo prazo indexados à inflação, o que contribui para estabilidade financeira e geração sustentável de valor.
"Ao unir a segurança hídrica ao potencial energético, a aquisição amplia a sinergia entre os negócios da Companhia e consolida uma base mais robusta para enfrentar os desafios climáticos e de demanda crescente por serviços essenciais", disse a Sabesp, em outubro de 2025.
As ações da Sabesp sobem forte na B3 nesta terça-feira (20), diante da aprovação do negócio. Às 13h18, o papel avançava 3,52% e era cotado a R$ 127,52. Já os papeis da Emae apresentavam um leve recuo.