O banco simulou seis cenários de desinvestimento e concluiu que, apesar do montante expressivo, o retorno total ao acionista seria de apenas 1%, já que o ganho pontual seria compensado pela redução no valor dos ativos remanescentes no balanço da construtora.
Na prática, a maior parte do lucro viria da venda das participações acima do valor contábil, configurando um efeito não recorrente. Após a operação, a Cyrela ficaria menor e com menor capacidade de geração de resultados.
O peso das investidas no resultado da Cyrela é relevante. Em 2025, as três companhias contribuíram com cerca de R$ 395 milhões ao lucro líquido da construtora, o equivalente a aproximadamente 20% do total reportado.
A Cury respondeu por R$ 170 milhões, a Plano&Plano por R$ 123 milhões e a Lavvi por R$ 102 milhões. Sem essa contribuição, o resultado da companhia seria proporcionalmente reduzido.
Venda da Cury é o cenário mais favorável, com potencial de 14%
Entre os seis cenários simulados, o JP Morgan identificou a venda total da fatia de aproximadamente 15% na Cury como o mais vantajoso, com potencial de retorno de até 14%.
A explicação está na forte valorização das ações da Cury desde o
IPO, o que ampliou a diferença entre o valor de mercado e o valor registrado no balanço da Cyrela. Essa operação poderia gerar cerca de R$ 1,18 bilhão em dividendos extraordinários.
Ainda assim, o banco alerta que a Cyrela abriria mão de um ativo com geração recorrente de lucro.
Sem a Cury, o indicador cairia para 17,8%. Com a venda de todas as três participações, o ROE recuaria para cerca de 16%.
Vale destacar que a Cyrela já realizou movimentos parciais nessa direção. No 3T25, a companhia registrou cerca de R$ 210 milhões em ganhos com a venda de ações da Cury.
Premissas e restrições contratuais limitam os cenários
Os cálculos do JP Morgan consideram tributação de 15% sobre o lucro com as vendas e assumem que a Cyrela conseguiria cancelar acordos de acionistas sem penalidades.
O acordo atual com as empresas estabelece que a construtora deve manter participação mínima de 15% na Lavvi, 14% na Cury e 14% na Plano&Plano, o que restringe a liquidez imediata das posições.
JP Morgan mantém recomendação de compra
O exercício não alterou a visão do banco sobre o papel. O JP Morgan mantém recomendação overweight, equivalente à compra, para as ações da Cyrela, com preço-alvo de R$ 37,50, o que implica potencial de valorização próximo de 20% frente ao último fechamento.
Na avaliação do banco, a Cyrela segue bem posicionada pela diversificação de negócios, atuando simultaneamente nos segmentos de baixa, média e alta renda, além do crescimento das três investidas.
📊 O JP Morgan também destaca a CashMe, subsidiária focada em empréstimos com garantia imobiliária, com carteira que poderá valer cerca de R$ 2 bilhões e que ainda estaria pouco refletida no valuation da companhia.