Crise na Venezuela faz empresa brasileira saltar 5% na bolsa (e não é a Petrobras)

Ações da Embraer acumulam forte alta em meio à aversão ao risco global.

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Publicado em 06/01/2026 às 12:48h - Atualizado 13 horas atrás Publicado em 06/01/2026 às 12:48h Atualizado 13 horas atrás por Wesley Santana
Embraer Super Tucano (A-29) da Força Aérea do Equador em voo militar (Imagem: Shutterstock)
Embraer Super Tucano (A-29) da Força Aérea do Equador em voo militar (Imagem: Shutterstock)

O setor petroleiro acordou em polvorosa no último fim de semana, quando o Exército dos EUA capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Na segunda, primeiro pregão depois da ação, as ações de empresas do setor foram quase todas no sentido positivo, especialmente as companhias que operam nos EUA.

No entanto, aqui no Brasil, teve uma empresa fora desse meio que viu suas ações saltarem quase 5% no dia. A Embraer (EMBJ3) acordou com seus papéis sendo negociados em R$ 87, mas foi dormir com eles acima de R$ 92, conforme mostram dados da B3.

Nesta terça-feira, os papéis operam perto da zona de estabilidade, cotados em R$ 92,80 no fim da manhã. No entanto, considerando os últimos doze meses, a alta já passa de 64%, ainda conforme informações da bolsa brasileira.

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Analistas das principais corretoras apontam que a valorização mais recente no preço da Embraer está relacionada à expectativa dos investidores em relação aos gastos militares. A Embraer é uma das fabricantes de jatos militares, portanto, é beneficiada com o aumento das tensões geopolíticas no mundo.

“No pregão, há uma rotação clara de fluxo para empresas ligadas ao setor aeroespacial e de defesa, reflexo do aumento da aversão ao risco e da expectativa de maiores gastos militares em diferentes regiões, o que acaba beneficiando nomes como a Embraer no curto prazo”, avalia Lucas Girão, economista e especialista em investimentos, em entrevista ao InfoMoney.

Foi neste contexto que a empresa conseguiu alcançar a máxima histórica, acompanhada de outros pares globais. Nos Estados Unidos, onde também negocia seus ativos, a empresa chegou à casa dos US$ 69, o maior preço já visto, com um valor de mercado de US$ 12,8 bilhões.

A fabricante brasileira tem contrato com Forças Armadas de vários países, que são clientes de alguns de seus modelos de caças. Os modelos mais adquiridos são o C-390 e A-29N Super Tucano, que estão disponíveis na frota de vários exércitos pelo mundo.

“A ação militar dos EUA na Venezuela aparentemente demonstra o foco da administração americana em questões mais próximas de casa, pelo menos no curto prazo. Isso pode reforçar a necessidade de a Europa assumir maior responsabilidade por sua própria segurança e autonomia estratégica daqui para frente, o que exige um aumento significativo nos gastos com defesa nos próximos anos, sustentando nossa classificação de desempenho acima da média para o setor”, pontuam os analistas do Morgan Stanley.