A
Cosan (CSAN3) vem sofrendo na bolsa, enquanto avança com o seu plano de reestruturação financeira. Contudo, desponta como uma aposta de longo prazo de bancões como o Bradesco BBI.
Em relatório divulgado nesta quinta-feira (15), o Bradesco BBI reiterou a recomendação de compra para as ações da Cosan, por entender que a companhia está em um "momento estratégico de transformação", capaz de reduzir riscos e destravar a criação de valor no longo prazo.
No entanto, reduziu o preço-alvo para o papel, de R$ 8 para R$ 7. E o corte não foi porque o ativo opera em queda na bolsa já há algum tempo. Mas porque o foco na reestruturação financeira cria dúvidas sobre a capacidade da Cosan e liberar
dividendos no curto prazo.
Nas palavras do BBI, o ajuste no preço-alvo reflete "premissas mais conservadoras para pagamento de dividendos no curto prazo, dado o foco em redução de dívida".
O plano da Cosan
A Cosan vendeu ações da
Vale (VALE3) e da
Rumo (RAIL3) no ano passado, para reduzir o endividamento e melhorar a estrutura de capital.
Além disso, levantou R$ 10 bilhões por meio de ofertas de ações acordadas com o
BTG Pactual (BPAC11) e a gestora
Perfin, com o objetivo de usar os recursos na renegociação e no pagamento de obrigações financeiras.
Para o Bradesco BBI, a holding ainda pode levantar mais R$ 8 bilhões por meio da venda de ativos, o que ajudaria a simplificar o portfólio e a neutralizar rapidamente o endividamento.
O banco avalia, então, que os movimentos da Cosan podem abrir espaço para a criação de valor no longo prazo. E ainda aponta outros fatores que podem ajudar nesse sentido: a possível queda da taxa de juros e as oportunidades de crescimento de alguns ativos da holding, especialmente na Compass.
Por isso, indicou que os investidores da Cosan ainda podem ter mais alguns meses sem proventos pela frente, mas podem passar a colher ganhos maiores na medida em que a reestruturação da companhia avança.
"A simplificação do portfólio e o corte de despesas gerais e administrativas (de R$ 300-350 milhões para R$ 150-200 milhões nos próximos anos) devem liberar recursos para reforçar a remuneração ao acionista e monetizar créditos tributários", projeta.
BTG também reforçou aposta
O BTG Pactual também reiterou a aposta nas ações da Cosan no final de 2025, por acreditar que, depois desses movimentos, a companhia parece pronta para entrar em um novo ciclo de geração de caixa.
O banco avalia que a injeção de capital restaurou o equilíbrio da estrutura de capital da holding, criando oportunidades para a geração de valor no longo prazo.
E lembrou: "Apesar da recente pressão sobre o balanço da Cosan, o grupo ainda controla um dos portfólios mais distintos do Brasil, possuindo participações em empresas líderes e irreplicáveis".
Diante disso, o BTG mantém uma recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 10,50 para as ações da Cosan.
A reação das ações
Apesar disso, as ações da Cosan seguem sob pressão na bolsa. O papel recuou quase 35% em 2025 e já cai quase 4% no acumulado de 2026.
Nesta quinta-feira (15), a ação cai forte. Às 14h50, por exemplo, recuava 1,36% e era negociada por R$ 5,07. Ou seja, bem abaixo dos preços-alvo projetados pelos analistas.