Muito se tem falado nas últimas semanas sobre os impactos da
guerra do Irã, que mantém o
Estreito de Ormuz travado, a principal rota marítima responsável por até 25% das exportações de
petróleo no mundo. A partir do refino da commodity é que temos tanto a gasolina quanto o diesel.
Todavia, o Brasil tem lá as suas particularidades na hora de formar os preços dos combustíveis. Segundo levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), entre os dias 15 a 21 de março de 2026, o preço médio da Gasolina comum era de R$ 6,65 por litro, enquanto o Diesel S-10 valia R$ 7,26 por litro.
Por sua vez, o preço final na bomba é a soma de cinco componentes principais:
- Parcela da Petrobras: Valor da refinaria (Gasolina A ou Diesel A). Representa cerca de 40% a 47% do preço final.
- Custo do Biocombustível: Mistura obrigatória de Etanol Anidro na gasolina (27%) ou Biodiesel no diesel (15% em 2026).
- Tributos Estaduais (ICMS): Valor fixo por litro, uniforme em todo o país. Em 2026, está em torno de R$ 1,57 para gasolina e R$ 1,17 para diesel.
- Tributos Federais (PIS/Cofins e CIDE): No caso do diesel, o governo Lula zerou as alíquotas até o fim do ano, como forma de amenizar os impactos da guerra no Irã.
- Margem de Distribuição e Revenda: Custos e lucro dos postos e distribuidoras (aprox. 20% a 25%).
Política de preços da Petrobras
Atualmente, a Petrobras adota uma estratégia que evita repassar a volatilidade imediata do barril de
petróleo tipo Brent, especialmente em períodos de conflitos internacionais, segurando reajustes por semanas ou meses.
Especificamente no
caso dos caminhoneiros, que dependem do abastecimento do diesel, o governo federal publicou no último dia 19 de março uma Medida Provisória que endurece a fiscalização do piso mínimo do frete e amplia a proteção aos caminhoneiros autônomos.
Na prática, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) amplificou seus poderes de fiscalização e bloqueio sobre fretes feitos por caminhoneiros realizados abaixo do mínimo estabelecido.