Como fica investir nos EUA após as tarifas de Trump? BTG revisa preço-alvo do S&P 500

Índice acionário que concentra as 500 maiores companhias americanas deve entregar um desempenho inferior em 2025, segundo analistas

Author
Publicado em 03/04/2025 às 15:45h - Atualizado 15 horas atrás Publicado em 03/04/2025 às 15:45h Atualizado 15 horas atrás por Lucas Simões
Por outro lado, indicador fundamentalista P/L mostra que a bolsa americana está mais barata aos investidores (Imagem: Shutterstock)

🗽 Quem iria imaginar que as ações da gigante americana Apple (AAPL) iriam derrapar quase −10% em apenas um pregão para US$ 202,85 cada, como acontece nesta quinta-feira (3). Mas, não é algo exclusivo que acomete apenas a fabricante do iPhone, o próprio S&P 500 — índice acionário que reúne as 500 maiores empresas dos Estados Unidos — cambaleava mais de −4%, com investidores repercutindo as tarifas comerciais de Donald Trump.

Isso porque o presidente americano anunciou que o país adotará uma nova política comercial que combina uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações com tarifas recíprocas adicionais, direcionadas a países com grandes déficits comerciais e barreiras mais elevadas à entrada de produtos americanos.

Nessa história toda, os produtos brasileiros importados aos EUA passarão a ter apenas a alíquota-base de 10%, enquanto outras nações foram taxadas em até 49%. Só que, do ponto de vista do investidor brasileiro, o que ele pode esperar em termos de retornos em seus investimentos em dólar na renda variável americana em 2025?

Segundo o BTG Pactual, as novas tarifas comerciais devem pressionar a atividade econômica e a lucratividade das empresas americanas, o que levou o banco a reduzir o seu preço-alvo para o S&P 500, de 6.500 pontos para 5.800, ou seja, um desconto de −11%.

"Além disso, a maior incerteza em relação à política comercial e às cadeias globais de suprimento justifica um aumento de 25 pontos-base no nosso prêmio de risco de ações americanas, de 4,5% para 4,75%. Já a nossa premissa de ROE (Retorno Sobre o Patrimônio Líquido) para os investimentos em dólar encolheu 50 pontos-base", destaca o time de analistas do banco.

➡️ Leia mais: ETFs de dividendos em dólar: 3 opções que já disparam 10% em 2025, na mira de Wall Street

S&P 500 mostra desconto nas ações americanas em 2025?

Só no acumulado do ano, o Vanguard S&P 500 ETF (VOO) — fundo de índice listado que replica o desempenho do S&P 500 — teve saldo negativo de quase −8%. Até mesmo o mercado europeu, que por anos ficou aquém da concorrência dos EUA, viu o seu índice Stoxx 600, que abarca as maiores empresas do velho continente, registrar ganhos de quase +3% no mesmo período.

Os especialistas do BTG Pactual também esperam que a inflação americana feche 2025 em 2,8%, ante a expectativa anterior de 2,5%. Em paralelo, a estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA foi reduzida de 2,1% para 1,5%, em linha com a visão atualizada da equipe macro, que projeta que os ventos contrários relacionados ao comércio devem reduzir a atividade econômica.

🎯 "Considerando esses ajustes, nosso Preço Sobre o Lucro (P/L) justo do S&P 500 para 2025 recua de 21,3 vezes para 19,0 vezes, com base em nosso modelo de Gordon ajustado", finaliza o relatório do banco, o que sugere que as chamadas stocks devem ficar mais descontadas aos investidores neste ano.

Segundo dados do investidor10, se você tivesse investido R$ 1 mil no ETF VOO há cinco anos, hoje você teria R$ 2.376,00, já considerando o reinvestimento dos dividendos em dólar. A simulação também aponta que o iShares MSCI Eurozone ETF (EZU) — investimento que replica o desempenho médio da Zona do Euro — teria retornado R$ 1.985,60 nas mesmas condições.