Braskem (BRKM5) aciona plano para driblar crise no setor petroquímico; entenda

Segundo o CEO da companhia, Roberto Ramos, a recuperação da indústria petroquímica global pode demorar até dez anos.

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Publicado em 27/02/2025 às 16:09h - Atualizado 3 minutos atrás Publicado em 27/02/2025 às 16:09h Atualizado 3 minutos atrás por Matheus Rodrigues
A Braskem vem reavaliando suas operações para aumentar a competitividade e reduzir custos (Imagem: Shutterstock)

🚨 Diante de um cenário desafiador na indústria petroquímica global, a Braskem (BRKM5) está reposicionando sua estratégia para lidar com um ciclo de baixa prolongado, que pode se estender por até uma década.

A companhia está ajustando sua matriz de insumos, ampliando o uso de etano em suas operações no Brasil como alternativa à nafta, tradicionalmente mais cara.

Em resposta ao atual momento do setor, a Braskem vem reavaliando suas operações para aumentar a competitividade e reduzir custos.

Segundo o CEO da companhia, Roberto Ramos, a recuperação da indústria petroquímica global pode demorar até dez anos, exigindo um planejamento robusto para manter a eficiência e a lucratividade.

A principal mudança da estratégia passa pela substituição gradual da nafta pelo etano, matéria-prima cujo custo é significativamente inferior.

Enquanto a tonelada de nafta está na faixa dos US$ 650, o etano custa cerca de US$ 250, o que torna a troca uma decisão estratégica para aumentar a margem de lucro sem necessidade de grandes investimentos.

O primeiro passo dessa transformação já foi anunciado: a Braskem estuda expandir a capacidade produtiva do polo petroquímico de Duque de Caxias (RJ), utilizando etano fornecido pela Petrobras (PETR4).

Segundo Ramos, as negociações estão nos estágios finais. Além disso, a empresa busca elevar a proporção de etano nas operações da Bahia e do Rio Grande do Sul, onde a mistura atual é de 10%, mas pode chegar a pelo menos 20%.

O executivo também destacou que a companhia pretende ampliar ainda mais essa diversificação energética, incorporando propano ao processo, o que garantiria maior flexibilidade operacional e ganhos competitivos sem necessidade de grandes aportes financeiros.

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Braskem quer barreiras contra importações

Além da adaptação da sua matriz energética, a Braskem aposta na defesa comercial como um pilar fundamental para sustentar sua posição no mercado brasileiro.

A empresa tem pressionado o governo para manter, além de 2024, o aumento da tarifa de importação de resinas plásticas e petroquímicos, que passou de 12,6% para 20% este ano.

A justificativa da companhia é o crescente volume de produtos petroquímicos importados dos Estados Unidos e da China, especialmente polietileno e polipropileno.

Esse movimento levou a um déficit comercial da indústria química brasileira de aproximadamente US$ 50 bilhões no último ano.

A Braskem também tenta aprovar medidas antidumping contra esses dois países, buscando equilibrar a competição com os produtores estrangeiros.

No entanto, Ramos admite que ainda não há previsão de quando essas ações poderão surtir efeito prático no mercado.

Mercados

📊 No mercado doméstico, a Braskem projeta um ano de estabilidade para a demanda por produtos petroquímicos.

Apesar de um início de 2025 mais aquecido do que o ano anterior, a empresa não vê sinais de uma recuperação expressiva no curto prazo.

Atualmente, suas operações estão utilizando 70% da capacidade de processamento de nafta e 60% na produção de polipropileno.

Já no mercado norte-americano, onde a Braskem tem forte presença com o polipropileno, as perspectivas são mais nebulosas.

Ramos destaca que o cenário ainda é incerto, mas aposta na expansão da participação do chamado "plástico verde" nos Estados Unidos, um material sustentável produzido a partir do etanol da cana-de-açúcar.

No último ano, as vendas desse produto no país foram de apenas 3 mil toneladas, mas a expectativa é de um crescimento progressivo.