Estimativas da Moody’s indicam que, após esses desembolsos, o FGC deve ficar abaixo do índice mínimo de cobertura, equivalente a 2,5% dos depósitos segurados.
A diferença em relação a esse patamar pode chegar a aproximadamente R$ 55 bilhões, o que abre espaço para a adoção de mecanismos automáticos de recomposição previstos no regulamento do fundo.
Apesar do volume expressivo, a agência de classificação de risco afirma que não enxerga riscos sistêmicos relevantes para o sistema financeiro. O impacto tende a ser diluído ao longo do tempo, ainda que implique custos adicionais para as instituições participantes.
Quando os recursos do fundo ficam abaixo do nível mínimo, o FGC pode lançar mão de alternativas como a antecipação de contribuições futuras, a cobrança de sobretaxas temporárias ou a aplicação de uma alíquota adicional mensal de 0,01% sobre os depósitos segurados.
Essas medidas são distribuídas de forma proporcional à participação de cada banco no sistema.
Do ponto de vista econômico, a redução de liquidez também pode afetar os resultados dos bancos.
Segundo a Moody’s, em um ambiente de
taxa Selic ao redor de 15% ao ano, uma diminuição de R$ 55 bilhões na liquidez do sistema pode gerar um impacto anual superior a R$ 8 bilhões na receita líquida de juros, o que equivale a cerca de 2,1% do total registrado nos doze meses até setembro de 2025.
Para suavizar essas pressões, a expectativa da agência é que o conselho do FGC combine a antecipação de contribuições ordinárias por vários anos com uma sobretaxa temporária de 50% sobre essas contribuições, até que o nível de liquidez do fundo volte ao patamar considerado adequado.
Outro possível reflexo das liquidações é o aumento da aversão ao risco em relação a bancos de médio porte. Ainda assim, a Moody’s avalia que esse efeito pode ser parcialmente compensado pela elevada liquidez do mercado de capitais brasileiro.
Em setembro de 2025, o estoque de letras financeiras em circulação somava R$ 658 bilhões, crescimento de 57% em três anos, com mais da metade emitida pelos grandes bancos.
A agência também destaca que um ritmo mais moderado de concessão de crédito ao longo de 2026 pode ajudar a reduzir a necessidade de captação adicional por parte dessas instituições, em um cenário de menor confiança empresarial e crescimento econômico mais fraco.
Paralelamente, o Banco Central e o FGC informaram que estão reavaliando a metodologia usada para definir os limites do seguro de depósitos e o tamanho do fundo. Essa revisão periódica leva em conta a evolução dos depósitos elegíveis, o perfil de risco das instituições e o peso do seguro no sistema financeiro.
Caso a metodologia seja ajustada, a tendência é de prêmios de seguro estruturalmente mais altos, sobretudo para bancos menores que ampliaram o uso do seguro nos últimos anos, o que pode elevar os custos de captação em todo o setor.
Para Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira de Bancos, ainda é cedo para medir o impacto final do aumento das contribuições. Ele avalia que a recomposição deve ser definida em breve e concluída em um prazo entre 60 e 90 dias, já que o fundo iniciou os pagamentos aos credores.
Segundo Vilain, o mercado não vê o movimento como um problema relevante. Pode haver algum repasse pontual nos custos de captação ou nas operações de crédito, mas de forma diluída ao longo do tempo.
📊 Ele também destacou mudanças recentes aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional que ampliam o acesso do FGC a dados das instituições financeiras, o que tende a melhorar a avaliação de riscos e aumentar a transparência para investidores.