Reestatização da Vibra (VBBR3), ex-BR, ganha força com alta do petróleo
Governo Lula avalia retorno ao setor de distribuição de combustíveis
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) informou nesta sexta-feira (20) que autuou diversas distribuidoras de combustíveis no país por abusividade de preços. A lista é composta pelas administradoras das maiores redes do país: Vibra Energia (VBBR3), responsável pela bandeira BR; Ipiranga, subsidiária da Ultrapar (UGPA3); e Nexta, que administra os postos Petronas.
A atuação faz parte de uma força-tarefa do órgão para a fiscalização de postos que aumentaram o preço dos combustíveis sem explicações. Mesmo que o preço do petróleo tenha acelerado no mercado internacional, o governo federal isentou os tributos federais e decidiu pela subvenção do produto, o que não explicaria aumentos de mais de R$ 2 vistos em alguns postos fiscalizados.
A inspeção de hoje foi realizada em São Paulo, estado que tem o maior mercado consumidor do país. No total, mais de 1,2 mil postos e 52 distribuidoras em 12 estados já passaram por análise da força-tarefa.
Leia mais: Petrobras (PETR4) terá que liberar oferta de gasolina e diesel, decide ANP
“A inclusão de São Paulo reforça o caráter nacional da iniciativa, que une Senacon, Secretaria Nacional de Segurança Pública, ANP e Polícia Federal. A ampliação das ações fortalece o monitoramento sobre possíveis práticas abusivas em uma das regiões mais estratégicas para a formação de preços”, diz a ANP.
Em dias anteriores, a Raízen (RAIZ4), administradora dos postos Shell, também já havia sido notificada pelos órgãos da força-tarefa. Juntas, Vibra, Raízen e Ipiranga respondem por 7 em cada 10 postos de combustíveis do país.
“A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) concedeu prazo de 48 horas para que as distribuidoras Vibra, Ipiranga e Raízen apresentem esclarecimentos sobre seus custos e eventuais aumentos sem justa causa”, continua a ANP. “As ações seguem em andamento e, caso sejam identificadas práticas abusivas, as empresas poderão ser responsabilizadas nos termos da legislação, com a aplicação das sanções cabíveis”, finaliza.
Por meio de nota, as três maiores distribuidoras do país destacaram que o setor vem enfrentando um cenário desafiador diante da guerra no Irã. O conflito pressiona especialmente a dinâmica do mercado, que vê a oferta dos combustíveis mais restrita.
“A companhia entende que a autuação da ANP se baseou em somente uma parcela desses impactos, no caso o preço da Petrobras, sem considerar os componentes de preços como os valores de importação, elevados em meio à instabilidade política global”, disse a Ipiranga.
A Raízen informou que vai avaliar a situação e prestar os devidos esclarecimentos à Senacon. "A empresa reforça seu compromisso com a transparência, a integridade e o respeito às normas legais em todas as suas operações e relacionamentos", afirmou.
Já a Vibra reafirmou seu compromisso com a transparência e com o abastecimento regular do mercado nacional. A empresa também disse que "colaborou e seguirá à disposição da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon) para prestar todos os esclarecimentos".
Governo Lula avalia retorno ao setor de distribuição de combustíveis
Analista da corretora Ativa Investimentos revela sua recomendação para a distribuidora de combustíveis em 2026.