ANP autua Vibra (VBBR3) e Ipiranga por preços abusivos de combustíveis em SP

Fiscalização aponta aumentos sem justificativa em postos também da Raízen em outros estados.

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Publicado em 20/03/2026 às 13:05h Publicado em 20/03/2026 às 13:05h por Wesley Santana
Postos da marca BR são administrados pela Vibra, ex-BR Distribuídora (Imagem: Shutterstuck)
Postos da marca BR são administrados pela Vibra, ex-BR Distribuídora (Imagem: Shutterstuck)

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) informou nesta sexta-feira (20) que autuou diversas distribuidoras de combustíveis no país por abusividade de preços. A lista é composta pelas administradoras das maiores redes do país: Vibra Energia (VBBR3), responsável pela bandeira BR; Ipiranga, subsidiária da Ultrapar (UGPA3); e Nexta, que administra os postos Petronas.

A atuação faz parte de uma força-tarefa do órgão para a fiscalização de postos que aumentaram o preço dos combustíveis sem explicações. Mesmo que o preço do petróleo tenha acelerado no mercado internacional, o governo federal isentou os tributos federais e decidiu pela subvenção do produto, o que não explicaria aumentos de mais de R$ 2 vistos em alguns postos fiscalizados.

A inspeção de hoje foi realizada em São Paulo, estado que tem o maior mercado consumidor do país. No total, mais de 1,2 mil postos e 52 distribuidoras em 12 estados já passaram por análise da força-tarefa.

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“A inclusão de São Paulo reforça o caráter nacional da iniciativa, que une Senacon, Secretaria Nacional de Segurança Pública, ANP e Polícia Federal. A ampliação das ações fortalece o monitoramento sobre possíveis práticas abusivas em uma das regiões mais estratégicas para a formação de preços”, diz a ANP.

Em dias anteriores, a Raízen (RAIZ4), administradora dos postos Shell, também já havia sido notificada pelos órgãos da força-tarefa. Juntas, Vibra, Raízen e Ipiranga respondem por 7 em cada 10 postos de combustíveis do país.

“A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) concedeu prazo de 48 horas para que as distribuidoras Vibra, Ipiranga e Raízen apresentem esclarecimentos sobre seus custos e eventuais aumentos sem justa causa”, continua a ANP. “As ações seguem em andamento e, caso sejam identificadas práticas abusivas, as empresas poderão ser responsabilizadas nos termos da legislação, com a aplicação das sanções cabíveis”, finaliza.

O que dizem os citados

Por meio de nota, as três maiores distribuidoras do país destacaram que o setor vem enfrentando um cenário desafiador diante da guerra no Irã. O conflito pressiona especialmente a dinâmica do mercado, que vê a oferta dos combustíveis mais restrita.

“A companhia entende que a autuação da ANP se baseou em somente uma parcela desses impactos, no caso o preço da Petrobras, sem considerar os componentes de preços como os valores de importação, elevados em meio à instabilidade política global”, disse a Ipiranga.

A Raízen informou que vai avaliar a situação e prestar os devidos esclarecimentos à Senacon. "A empresa reforça seu compromisso com a transparência, a integridade e o respeito às normas legais em todas as suas operações e relacionamentos", afirmou.

Já a Vibra reafirmou seu compromisso com a transparência e com o abastecimento regular do mercado nacional. A empresa também disse que "colaborou e seguirá à disposição da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon) para prestar todos os esclarecimentos".