Após anos impulsionando o crescimento econômico mundial, a China admitiu a possibilidade de desacelerar.
📊 Diante de uma demanda interna mais fraca e das incertezas do cenário internacional, a China pretende crescer de 4,5% a 5% em 2026.
A meta foi apresentada nesta quinta-feira (5) e representa uma flexibilização em relação ao objetivo perseguido nos últimos três anos de crescer "cerca de 5%".
Esta ainda é a menor meta de crescimento apresentada pela China desde 1991 -excluindo apenas o ano de 2020, quando esse número deixou de ser apresentada em virtude da pandemia de covid-19.
"Meta realista"
🗣️ O governo chinês disse, contudo, que esta é uma meta "proativa e pragmática", que reflete uma ampla avaliação das condições internas e das mudanças no ambiente externo.
Segundo o chefe do grupo responsável pela elaboração do relatório de trabalho do governo chinês para 2026, Shen Danyang, o objetivo foi encontrar um equilíbrio entre o que é necessário e o que é viável para o país.
Ele lembrou, por sua vez, que a China ainda deve crescer bem mais que a média mundial. O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta um crescimento de 3,3% para a economia global neste ano, por exemplo.
Além disso, garantiu que o país poderia superar essa meta de crescimento caso avance em reformas e políticas macroeconômicas mais profundas.
China quer expandir consumo interno
💲 Nesse sentido, a prioridade da China será a expansão do consumo interno, que desacelerou nos últimos anos.
Para isso, o governo pretende manter o atual ritmo de crescimento das aposentadorias e o programa de incentivo à troca de bens de consumo, como eletrodomésticos e veículos. Além disso, falou em estabilizar o mercado imobiliário e tomar medidas para melhorar a oferta de moradias.
Também estão entre as metas de desenvolvimento chinesas para este ano a criação de 12 milhões de novos empregos urbanos, o que deve ajudar a manter a taxa de desemprego urbano em até 5,5%.
Já a meta de inflação segue em 2%, assim como a do déficit orçamentário permanece em até 4% do PIB (Produto Interno Bruto).
Alerta para a Vale?
⚒️ A meta de crescimento da economia chinesa pode afetar o nível da demanda e os preços dos produtos da
Vale (VALE3).
Afinal, a China é a maior consumidora mundial de minério de ferro. Logo, exerce forte influência nos preços da commodity e nos resultados da Vale.
Em 2025, por exemplo, o país representou 50% da receita da companhia brasileira, segundo dados do
Investidor10.
Ao menos nesta quinta-feira (5), a cotação do
minério de ferro reagiu bem ao anúncio chinês.
Isso porque, embora tenha flexibilizado a meta de crescimento, a China também renovou a promessa de estimular o setor imobiliário, grande consumidor da commodity.
A China, no entanto, também prometeu agir para eliminar o excesso de produção da indústria siderúrgica, que depende do minério de ferro para produzir
aço.
A
Gerdau (GGBR4), por exemplo, vem reclamando há tempos do excesso da oferta de aço chinês no mercado brasileiro, o que afeta a demanda pelo seu produto e ainda puxa para baixo os preços da commodity.