Alerta para a Vale (VALE3)? China fixa menor meta de crescimento desde 1991

A China pretende crescer de 4,5% a 5% em 2026, mas também quer estabilizar o mercado imobiliário.

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Publicado em 05/03/2026 às 18:06h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 05/03/2026 às 18:06h Atualizado 2 minutos atrás por Marina Barbosa
A China é o maior consumidor mundial de minério de ferro (Imagem: Shutterstock)
A China é o maior consumidor mundial de minério de ferro (Imagem: Shutterstock)
Após anos impulsionando o crescimento econômico mundial, a China admitiu a possibilidade de desacelerar.
📊 Diante de uma demanda interna mais fraca e das incertezas do cenário internacional, a China pretende crescer de 4,5% a 5% em 2026.
A meta foi apresentada nesta quinta-feira (5) e representa uma flexibilização em relação ao objetivo perseguido nos últimos três anos de crescer "cerca de 5%". 
Esta ainda é a menor meta de crescimento apresentada pela China desde 1991 -excluindo apenas o ano de 2020, quando esse número deixou de ser apresentada em virtude da pandemia de covid-19.

"Meta realista"

🗣️ O governo chinês disse, contudo, que esta é uma meta "proativa e pragmática", que reflete uma ampla avaliação das condições internas e das mudanças no ambiente externo.
Segundo o chefe do grupo responsável pela elaboração do relatório de trabalho do governo chinês para 2026, Shen Danyang, o objetivo foi encontrar um equilíbrio entre o que é necessário e o que é viável para o país.
Ele lembrou, por sua vez, que a China ainda deve crescer bem mais que a média mundial. O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta um crescimento de 3,3% para a economia global neste ano, por exemplo.
Além disso, garantiu que o país poderia superar essa meta de crescimento caso avance em reformas e políticas macroeconômicas mais profundas.

China quer expandir consumo interno

💲 Nesse sentido, a prioridade da China será a expansão do consumo interno, que desacelerou nos últimos anos.
Para isso, o governo pretende manter o atual ritmo de crescimento das aposentadorias e o programa de incentivo à troca de bens de consumo, como eletrodomésticos e veículos. Além disso, falou em estabilizar o mercado imobiliário e tomar medidas para melhorar a oferta de moradias.
Também estão entre as metas de desenvolvimento chinesas para este ano a criação de 12 milhões de novos empregos urbanos, o que deve ajudar a manter a taxa de desemprego urbano em até 5,5%. 
Já a meta de inflação segue em 2%, assim como a do déficit orçamentário permanece em até 4% do PIB (Produto Interno Bruto).

Alerta para a Vale?

⚒️ A meta de crescimento da economia chinesa pode afetar o nível da demanda e os preços dos produtos da Vale (VALE3).
Afinal, a China é a maior consumidora mundial de minério de ferro. Logo, exerce forte influência nos preços da commodity e nos resultados da Vale.
Em 2025, por exemplo, o país representou 50% da receita da companhia brasileira, segundo dados do Investidor10.
Ao menos nesta quinta-feira (5), a cotação do minério de ferro reagiu bem ao anúncio chinês.
Isso porque, embora tenha flexibilizado a meta de crescimento, a China também renovou a promessa de estimular o setor imobiliário, grande consumidor da commodity.
A China, no entanto, também prometeu agir para eliminar o excesso de produção da indústria siderúrgica, que depende do minério de ferro para produzir aço.
Uma eventual redução da produção chinesa de aço, por outro lado, poderia ajudar as siderúrgicas brasileiras.
A Gerdau (GGBR4), por exemplo, vem reclamando há tempos do excesso da oferta de aço chinês no mercado brasileiro, o que afeta a demanda pelo seu produto e ainda puxa para baixo os preços da commodity.