Ações da Raízen (RAIZ4) beiram os R$ 0,50 e risco de calote sacode renda fixa

Títulos de dívida da empresa dolarizados (bonds) veem taxas dispararem e estressar derivativos.

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Publicado em 10/03/2026 às 19:13h - Atualizado 10 minutos atrás Publicado em 10/03/2026 às 19:13h Atualizado 10 minutos atrás por Lucas Simões
Mesmo aqui no Brasil, têm CRAs emitidos pela Raízen oferecendo 18% ao ano sem IR (Imagem: Divulgação/Raízen)
Mesmo aqui no Brasil, têm CRAs emitidos pela Raízen oferecendo 18% ao ano sem IR (Imagem: Divulgação/Raízen)
Não são só os investidores em renda variável que escolheram se tornar acionistas da Raízen (RAIZ4) que passam por maus bocados em 2026, e olha que os papéis da produtora de açúcar e etanol quase renovaram a mínima de R$ 0,50 por ação nesta terça-feira (10).
Isso porque os títulos de renda fixa da empresa também sofrem fortes oscilações na marcação a mercado, sobretudo os títulos de dívida da Raízen emitidos em dólar, os tais bonds, em sua maioria comprados por bancos. O risco de calote no ar também mexe com emissões da sucroalcooleira aqui no Brasil.
A volatilidade tem sido tamanha com os títulos de renda fixa da RAIZ4 que o mercado de derivativos tem sentido os solavancos, com instituições financeiras desmontando operações sofisticadas de proteção cambial, sendo registradas intensas vendas de contratos futuros de dólar com vencimentos em janeiro de 2035 e de 2036.
Afinal de contas, começa a pesar na tomada de decisão dos maiores credores da Raízen o rebaixamento de crédito de ‘CCC+’ para ‘CCC-’, o nível considerado de calote (default), auferido pela agência de classificação de risco S&P Global Ratings na semana passada.
Um personagem importante em meio à crise da Raízen é sua controladora, a holding Cosan (CSAN3), cujo CEO deu atualizações ao mercado nesta ocasião. Segundo o executivo Marcelo Martins, a proposta de recuperação da sucroalcooleira é converter parte da sua dívida, que supera os R$ 50 bilhões, em ações da companhia.
Ou seja, investidores de renda fixa da Raízen poderiam receber ações RAIZ4 em troca dos juros compostos e devolução do dinheiro emprestado, medida que também diluiria maciçamente o patrimônio dos atuais acionistas, vide os exemplos recentes das companhias aéreas Azul (AZUL53) e Gol (GOLL54)
Para se ter uma ideia, a ferramenta do Investidor10 que acompanha investimentos em renda fixa aponta que Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos pela Raízen, com vencimento em outubro de 2033, chegam a pagar atualmente 18% ao ano, sem cobrança de imposto de renda, muito acima da média do mercado, o que reflete o risco de calote e a ausência de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).