Não são só os investidores em renda variável que escolheram se tornar acionistas da
Raízen (RAIZ4) que passam por maus bocados em 2026, e olha que os papéis da produtora de açúcar e etanol quase renovaram a mínima de R$ 0,50 por ação nesta terça-feira (10).
Isso porque os
títulos de renda fixa da empresa também sofrem fortes oscilações na marcação a mercado, sobretudo os títulos de dívida da Raízen emitidos em dólar, os tais bonds, em sua maioria comprados por bancos. O risco de calote no ar também mexe com emissões da sucroalcooleira aqui no Brasil.
A volatilidade tem sido tamanha com os títulos de renda fixa da
RAIZ4 que o mercado de derivativos tem sentido os solavancos, com instituições financeiras desmontando operações sofisticadas de proteção cambial, sendo registradas intensas vendas de contratos futuros de dólar com vencimentos em janeiro de 2035 e de 2036.
Afinal de contas, começa a pesar na tomada de decisão dos maiores credores da Raízen o rebaixamento de crédito de ‘CCC+’ para ‘CCC-’, o nível considerado de calote (default), auferido pela agência de classificação de risco S&P Global Ratings na semana passada.
Um personagem importante em meio à crise da Raízen é sua controladora, a holding
Cosan (CSAN3), cujo CEO deu atualizações ao mercado nesta ocasião. Segundo o executivo Marcelo Martins,
a proposta de recuperação da sucroalcooleira é converter parte da sua dívida, que supera os R$ 50 bilhões, em ações da companhia.
Ou seja, investidores de renda fixa da Raízen poderiam receber ações
RAIZ4 em troca dos juros compostos e devolução do dinheiro emprestado, medida que também diluiria maciçamente o patrimônio dos atuais acionistas, vide os exemplos recentes das companhias aéreas
Azul (AZUL53) e
Gol (GOLL54).