WEG (WEGE3) entra em 'lista negra' do JPMorgan e ações caem antes do 4T25

Mesmo com recomendação de compra, o banco vê risco assimétrico no curto prazo, com mais potencial de queda do que de alta.

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Publicado em 19/02/2026 às 19:27h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 19/02/2026 às 19:27h Atualizado 2 minutos atrás por Matheus Silva
Nesta quinta-feira (19), as ações fecharam em baixa de 3,78%, a R$ 51,37 (Imagem: Shutterstock)
Nesta quinta-feira (19), as ações fecharam em baixa de 3,78%, a R$ 51,37 (Imagem: Shutterstock)
🚨 A WEG (WEGE3) foi incluída pelo JPMorgan Chase em sua lista de atenção para catalisadores negativos antes da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, prevista para 25 de fevereiro, antes da abertura do mercado.
Mesmo mantendo recomendação overweight, equivalente à compra, o banco destacou um perfil de risco assimétrico no curto prazo, com maior potencial de queda do que de alta diante da avaliação atual. 
As ações reagiram e fecharam em baixa de 3,78%, a R$ 51,37.

Valuation elevado e expectativa de trimestre fraco

O JPMorgan chama atenção para os múltiplos negociados pela companhia, de 32 vezes o preço sobre lucro estimado para 2026 e 21,6 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda projetado para o mesmo período. 
A instituição espera um quarto trimestre fraco, com crescimento modesto de receita e margens pressionadas.
Embora parte do mercado já esteja ciente da possível fraqueza no período, o banco avalia que a confirmação de um resultado abaixo do esperado pode levar a novas revisões para baixo nas projeções de 2026.
O alerta ocorre após forte desempenho das ações desde a divulgação do 3T25. Desde 21 de outubro, os papéis acumulam alta de 35%, acima dos 29% do Ibovespa (IBOV) no mesmo intervalo, enquanto o dólar recuou 8% frente ao real.

Argumentos dos otimistas e dos pessimistas

Para a visão otimista, a WEG continua sendo uma companhia de alta qualidade, posicionada para capturar tendências estruturais como eletrificação e expansão do mercado de sistemas de armazenamento de energia em baterias. 
O primeiro leilão federal para projetos de BESS está previsto para abril, com entrada em operação de nova capacidade em 2027.
A demanda por transformadores também segue sólida, impulsionada por novas conexões à rede, data centers e inteligência artificial
Segundo o banco, o crescimento pode atingir o ponto mais baixo em 2026, com recuperação mais clara a partir de 2027, quando novas capacidades produtivas começarem a contribuir para a receita.
Já os argumentos mais cautelosos destacam que o valuation está cerca de 15% acima da média dos últimos três anos em termos de preço sobre lucro, em um momento de resultados sequenciais mais fracos. 
A expectativa é de praticamente nenhum crescimento de receita no 4T25, estimado em cerca de 2% na comparação anual, além de risco adicional vindo do câmbio.
O banco também ressalta que, nos últimos cinco trimestres, as ações caíram mais de 5% em quatro ocasiões após a divulgação dos resultados, mesmo quando os números vieram em linha com o consenso.

Fundamentos ainda sustentam a tese de longo prazo

O Bradesco BBI avalia que os fundamentos permanecem sólidos, mas parte relevante das expectativas positivas já estaria incorporada aos preços. 
A instituição vê possibilidade de algum alívio na margem Ebitda no trimestre, embora partindo de uma base de comparação pressionada.
Para o investidor, o foco agora se volta para o balanço do 4T25 e para eventuais revisões de guidance. 
📊 O desempenho das ações no curto prazo tende a depender não apenas dos números divulgados, mas também da sinalização sobre margens, carteira de pedidos e perspectivas para 2026.