Vale (VALE3) amarga US$ 3,8 bi de prejuízo no 4T25, mas reduz dívida e cumpre guidances
Segundo a companhia, o resultado foi pressionado por despesas de Brumadinho, ajustes em contratos de streaming e efeitos fiscais.
A Vale (VALE3) teve um quarto trimestre bem distante do esperado por grande parte dos bancos e corretoras de investimentos. Conforme relatório divulgado nesta quinta-feira (12), a mineradora ampliou seu prejuízo em quase 5 vezes, totalizando uma baixa de US$ 3,8 bilhões no período.
Para muita gente, o número é negativo logo de cara, mas tem quem veja uma luz no fim do túnel. Isso porque a situação se deu no contexto de baixas contábeis, sem quedas na produção e no Ebitda, que são dois dos indicadores também avaliados na hora de fazer recomendações de investimentos.
“O trimestre foi marcado por uma produção sólida tanto na divisão de metais ferrosos quanto na de metais básicos. Em relação aos custos, o trimestre foi impactado pela desvalorização do real, resultando em custos C1 mais altos (embora esperados). A geração de fluxo de caixa livre foi forte, atingindo US$ 1,7 bilhão, e a dívida líquida expandida diminuiu para US$ 15,6 bilhões”, diz relatório do Itaú BBA.
Essa visão é corroborada por outros bancos, que mantiveram a recomendação de compra para os papéis, entendendo que o resultado do 4T25 não muda a tese de investimentos da Vale. É o caso do Goldman Sachs, que reiterou a recomendação de compra para os ADRs da companhia, fixando o preço-alvo em US$ 18.
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"Após conversas com investidores globais, nossa percepção é de que a tese da Vale ainda é geralmente vista como construtiva, sustentada por 1) uma visão menos pessimista para o minério de ferro (semelhante ao achatamento da curva a termo do minério de ferro); 2) a visão de que a Vale representa uma alternativa atraente às grandes empresas de cobre, que são mais caras; e 3) o bom momento operacional da empresa”, aponta o Goldman Sachs.
Nesta sexta (13), as ações da empresa abriram o pregão com baixa de quase 2%, refletindo o humor do mercado em relação ao documento publicado na véspera. No entanto, alguns analistas sustentam que a baixa deve ser temporária e até um bom momento para colocar o ativo na carteira.
“O número fica feio no papel, talvez muitos investidores abram vendendo, mas acreditamos que até o fim do dia reverta e a Vale deve fechar em alta”, afirma Phill Soares, da Option Research, em entrevista ao Valor.
Segundo a companhia, o resultado foi pressionado por despesas de Brumadinho, ajustes em contratos de streaming e efeitos fiscais.
Decisão é um reflexo do vazamento de 262 mil m³ de água com sedimentos da Mina de Fábrica.