2026 já começou com os ânimos acalorados no
tabuleiro geopolítico da América Latina, inclusive trazendo repercussões para o andar da carruagem do
Tesouro Direto nesta segunda-feira (5), cujas taxas curtas caíam bem e davam lucro aos investidores, enquanto as taxas longas subiam dada a maior percepção de risco.
Durante o primeiro final de semana do ano, o governo Trump empreendeu com sucesso uma incursão militar em solo venezuelano que levou à
captura do ditador Nicolás Maduro, já levado em custódia aos Estados Unidos. O vácuo de poder no país vizinho ao Brasil mexe com o humor dos investidores, embora os juros futuros estejam mais sensíveis à divulgação do
primeiro Boletim Focus em 2026.
"Valuations depreciados,
elevados recursos petrolíferos e interesse estratégico dos EUA tendem a manter algum otimismo com os títulos de renda fixa venezuelanos no curto prazo. Aqui no Brasil, devemos seguir o bom desempenho dos mercados internacionais", comenta o analista Rafael Passos, da gestora Ajax Asset.
Na prática, o
Tesouro Prefixado 2028 viu o seu preço unitário saltar de R$ 784,63 no último dia 2 de janeiro para os atuais R$ 788,39, ao passo que sua remuneração oferecida ao investidor caiu de 13,03% ao ano para 12,93% ao ano, respectivamente. Ou seja, um lucro de +0,5% na marcação a mercado.
Em contraste, o título público de maior prazo de vencimento na renda fixa brasileira, o
Tesouro Renda+ 2065, viu seu preço unitário recuar de R$ 180,69 para R$ 179,19, no mesmo período, enquanto sua taxa oscilou de
IPCA+ 7,03% ao ano para
IPCA+ 7,05% ao ano.
O Boletim Focus, pesquisa elaborada pelo Banco Central com a opinião de diversos economistas e agentes do mercado financeiro, revelou que
se espera um IPCA um pouco mais salgado em 2026, cuja taxa subiu de 4,05% para 4,06%, quebrando sequência de várias semanas de revisões baixistas. A meta do governo brasileiro é ter uma inflação de 3% ao ano.