Quem investe no
Tesouro Direto com foco em lucrar pesado na marcação a mercado está colhendo os frutos nesta sexta-feira (27), visto que as taxas dos títulos públicos com maior prazo de vencimento caíam forte no acumulado das últimas 24 horas, à medida que a
prévia da inflação brasileira em fevereiro saiu mais salgada que o previsto.
O
IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) revelou que a média dos preços no país acelerou 0,84% em fevereiro, pressionada pelos reajustes das mensalidades escolares e pelas despesas com transportes. Já os economistas esperavam que o indicador avançasse apenas 0,57%.
Apesar do repique sazonal na inflação, os investidores seguem crentes de que a
taxa Selic cairá com força no ciclo de cortes que se aproxima, a partir da próxima decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), marcada no dia 18 de março de 2026.
O que interessa para a estratégia de lucros com marcação a mercado no Tesouro Direto é o quanto a taxa básica de juros pode cair, além da velocidade aplicada pelo Banco Central. Cerca de 80% das apostas do mercado projetam que o primeiro corte da
taxa Selic será logo de 50 pontos-base, reduzindo o patamar de 15% para 14,50%, conforme a negociação de opções de Copom no ambiente da
B3 (B3SA3).
Na prática, o maior beneficiário da forte queda das taxas hoje foi o
Tesouro Renda+ 2065, cuja remuneração cedeu de
IPCA+ 6,88% ao ano na véspera para os atuais
IPCA+ 6,80% ao ano. Trata-se do menor juro real já registrado desde meados de dezembro de 2025.
Em compensação, o preço unitário do título de
renda fixa deslanchou de R$ 195,98 para R$ 203,06 só nas últimas 24 horas, implicando no lucro de +3,61% na marcação a mercado.
Outros títulos públicos longos, como o
Tesouro IPCA+ 2040 e
Tesouro IPCA+ 2050, também apresentaram valorizações relevantes no período, na faixa de +0,75% e +1,22%, respectivamente.