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Raízen (RAIZ4) pode acabar sob controle da Shell após o colapso das negociações de recapitalização que envolviam a petroleira britânica, a
Cosan (CSAN3) e credores da companhia.
As informações são de fontes familiarizadas com o assunto, que não foram identificadas por se tratar de negociações privadas. Shell, Raízen e Cosan não comentaram o assunto.
Segundo quatro pessoas a par das tratativas, meses de
negociações entre Shell e Cosan para injetar capital novo na Raízen foram interrompidos nesta semana.
A empresa, uma das maiores produtoras de etanol do mundo, acumula prejuízos consecutivos e viu sua dívida líquida saltar para R$ 55,3 bilhões ao fim de dezembro, pressionada por investimentos elevados, instabilidade climática e incêndios florestais que prejudicaram as colheitas e reduziram os volumes de moagem.
Em fevereiro, a companhia havia alertado para uma "incerteza significativa" quanto à sua capacidade de continuar operando.
Shell avança sozinha nas negociações com bancos e credores
Com o impasse estabelecido, a Shell passou a conduzir tratativas diretamente com bancos e credores para viabilizar o resgate da Raízen, segundo uma das fontes.
Ainda de acordo com essa pessoa, a petroleira pretende injetar capital na companhia mesmo que a Cosan não faça o mesmo movimento.
Uma injeção de capital sem contrapartida equivalente da Cosan diluiria a participação da sócia brasileira na joint venture. A extensão dessa diluição, no entanto, dependerá do montante de dívida que será eventualmente convertido em ações nas negociações com os credores, conforme outra fonte.
Por que as negociações travaram
Durante as tratativas, a Cosan sinalizou que não teria condições de igualar o aporte proposto pela Shell. A empresa indicou capacidade de contribuir com R$ 1,5 bilhão, sendo R$ 500 milhões oriundos do acionista Rubens Ometto, empresário brasileiro ligado ao grupo, segundo duas fontes.
Para compensar a diferença, a Cosan propôs levantar R$ 6,3 bilhões adicionais por meio de fundos de private equity ligados ao
BTG Pactual (BPAC11) e de outras fontes de financiamento, com a condição de que a maior parte dos recursos fosse direcionada ao braço de distribuição de combustíveis da Raízen.
A proposta refletia a preferência dos investidores por esse segmento, considerado mais líquido, mas a Shell não aceitou a estrutura, segundo três fontes. O BTG Pactual não comentou o assunto.
📊 Duas fontes afirmaram que não há novas conversas agendadas entre as partes no momento, embora as discussões possam ser retomadas caso haja consenso entre os envolvidos.