Reviravolta na Kepler Weber (KEPL3): Fusão sai do radar e ações afundam na B3

GPT retirou a oferta de fusão por falta de acordo com o principal acionista da Kepler Weber.

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Publicado em 03/03/2026 às 12:40h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 03/03/2026 às 12:40h Atualizado 1 minuto atrás por Marina Barbosa
Kepler Weber oferece soluções pós-colheita para o agronegócio (Imagem: Shutterstock)
Kepler Weber oferece soluções pós-colheita para o agronegócio (Imagem: Shutterstock)
A Kepler Weber (KEPL3) mal aceitou a proposta de fusão da GPT (Grain & Protein Technologies) e já teve que deixar a oferta de lado. 
🚨 A companhia brasileira informou nesta terça-feira (3) que a proposta perdeu a validade, porque nem todos os seus pré-requisitos foram cumpridos dentro do prazo estabelecido pela empresa americana. 
Após meses de negociação, a GPT apresentou uma proposta final para a Kepler Weber no último sábado (28), mas avisou que o negócio só iria à frente se o acordo fosse aprovado até as 18h de segunda-feira (2) peloConselho de Administração e também pelo principal acionista da empresa, a Trígono Capital.
A Trígono tinha que se comprometer a votar favoravelmente à proposta na assembleia geral de acionistas que trataria do assunto, assim como os fundos da gestora que investem na Kepler Weber e o seu CIO, Werner Roger. Contudo, esse compromisso não foi formalizado no tempo esperado pela GPT. 
Por isso, a oferta de fusão expirou, mesmo depois de o Conselho de Administração da Kepler Weber fazer uma reunião extraordinária no domingo (1º) para avaliar a proposta e anunciar a sua aprovação na segunda-feira (2).
"Em decorrência da retirada da oferta pela GPT, a transação não prosseguirá, e as deliberações tomadas e/ou atos praticados em relação à transação pretendida ficam sem efeito", informou a empresa brasileira, nesta terça-feira (3).

Kepler Weber foca em plano estratégico

🧾 Em fato relevante, a Kepler Weber destacou que o seu Conselho de Administração "adotou todas as medidas que estavam ao seu alcance para viabilizar a transação".
Além disso, garantiu que "apresenta elevada solidez econômico-financeira e operacional mesmo diante de um ciclo setorial mais adverso, amparada por um histórico consistente de disciplina de gestão, governança e execução estratégica".
Agora, o plano da Kepler Weber é manter um "foco rigoroso e contínuo na implementação do seu plano estratégico KW 2030, com diretrizes claramente orientadas ao crescimento sustentável, à eficiência operacional e à inovação".
"Esse direcionamento estratégico, aliado à comprovada capacidade de execução, assegura o alinhamento da Kepler Weber às oportunidades estratégicas do setor e sustenta uma visão de futuro pautada na perenidade dos negócios, na expansão qualificada e na geração consistente de valor para todos os seus acionistas no longo prazo", afirmou.

Trígono se posiciona

A Trígono também publicou um comunicado para apresentar o seu lado dessa história nesta terça-feira (3).
A gestora disse que "atuou de forma colaborativa, técnica e diligente" durante toda a negociação, mas não poderia assumir qualquer obrigação que implicasse vinculação antecipada de voto, como desejava a GPT. 
"Essa limitação decorre de deveres fiduciários indeclináveis, que impõem à gestora o dever de analisar cada deliberação assemblear de forma técnica, independente e contextualizada, à luz das informações disponíveis no momento da decisão e no melhor interesse de cada fundo administrado individualmente", argumentou.
A Trígono garantiu que deixou clara a "impossibilidade jurídica e regulatória de celebração de compromisso de voto vinculante" durante as negociações. Por isso, diz que a GPT fez essa exigência mesmo sabendo que a gestora não poderia cumpri-la.
"Quando da formulação da Proposta Final da operação, a GPT tinha pleno conhecimento de que a Trígono não poderia, em nenhuma hipótese, assumir obrigação contratual que antecipasse ou vinculasse seu posicionamento na AGE que porventura fosse convocada", declarou.
No comunicado, a Trígono ressaltou que a decisão de não celebrar um compromisso de voto não representa uma avaliação prévia sobre o mérito econômico da potencial fusão entre a Kepler Weber e a GPT. 
Segundo a gestora, qualquer proposta que viesse a ser formalmente submetida à Assembleia Geral da Kepler Weber seria analisada "de maneira técnica, independente e fundamentada, considerando laudos, condições econômicas, impactos societários, governança, liquidez e geração de valor aos acionistas".
A Trígono garantiu, então, que "permanece aberta ao diálogo institucional". Além disso, reafirmou o compromisso com a governança corporativa, a transparência e a integridade do mercado de capitais.

O impasse financeiro da negociação

🌱 A fusão criaria uma gigante do setor de armazenagem de grãos e proteínas, já que a Kepler Weber é líder em soluções de pós-colheita na América Latina e a GPT mantém clientes em mais de 100 países.
Contudo, poderia tirar a empresa brasileira da Bolsa e dividiu os seus acionistas nos últimos meses, por causa dos termos da negociação, como evidencia o posicionamento da Trígono Capital.
Inicialmente, a GPT propôs o pagamento de R$ 11 por cada ação da Kepler Weber para avançar com a fusão. Porém, depois também acabou discutindo a possibilidade de pagar um valor adicional a alguns acionistas relevantes da empresa brasileira, em virtude da sua área de expertise e atuação.
A possibilidade foi questionada pelos acionistas minoritários. Por isso, acabou sendo deixada de lado no decorrer das negociações. A última proposta da GPT previa o pagamento de R$ 11 por ação, além de um prêmio adicional de R$ 1, para todos os acionistas da Kepler Weber.

Ações reagem

📉 As ações da Kepler Weber afundam na B3 nesta terça-feira (3), diante do fim das negociações sobre a potencial combinação de negócios com a GPT.
Às 12h30, o papel recuava 12,67% e era cotado a R$ 8,41. Era a maior queda da Bolsa no momento.