Colocar parte do patrimônio nas mãos de um profissional do mercado financeiro, o qual será responsável por tomar as melhores decisões para multiplicar o dinheiro de seus clientes, é a alma do negócio dos
fundos de investimento e ajuda a entender o porquê dessa indústria angariou R$ 88,4 bilhões no acumulado de 2025, sendo que boa parte disso foi só nas costas da
renda fixa, a mãe da bolsa de valores brasileira.
Os dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) neste início de 2026 apontam que o patrimônio líquido da
indústria de fundos de investimento alcançou R$ 10,7 trilhões em 2026, representando um crescimento de +15% na comparação anual.
Só que coube aos
fundos de renda fixa a tarefa de liderar tamanha captação, que nesse segmento chegou a R$ 84,3 bilhões no ano passado. Vale destacar que a estratégia favorita dos investidores foi aplicar dinheiro em fundos de renda fixa que permitem ter
até 20% da carteira em títulos de médio e alto risco de crédito, tanto no mercado doméstico quanto no externo, os quais atraíram entrada líquida de R$ 148,4 bilhões.
Olhando para 2026, os especialistas da Anbima já têm uma boa ideia de que os
fundos de renda fixa mais uma vez devem rechear as carteiras da galera, levando em conta que trata-se de um ano eleitoral e que o
CDI ainda continuará historicamente elevado, dado que a
taxa Selic não ficará muito distante dos atuais 15% ao ano da noite para o dia.
“Mais uma vez, os
fundos de renda fixa foram a locomotiva da indústria, com os investidores buscando retornos adicionais ao CDI nos fundos de crédito privado. Esse cenário tende a se manter em 2026, considerando o nível ainda elevado dos juros e uma postura mais prudente dos investidores em um ano eleitoral”, afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Na sequência, os maiores volumes de entradas líquidas foram registrados pelos FIPs (Fundos de Investimento em Participações), com R$ 60,1 bilhões, e pelos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), com R$ 57,6 bilhões. Os
ETFs aparecem logo depois, com captação líquida de R$ 22,9 bilhões — a maior desde o início da série histórica da Anbima, em 2002.
Fundos multimercado e de ações
Afinal de contas, os
fundos multimercados apresentaram o maior volume de resgates líquidos da indústria em 2025, com saídas acumuladas de R$ 58,9 bilhões. Ainda assim, o valor é significativamente inferior ao observado em 2024, quando os resgates somaram R$ 349,1 bilhões, sinalizando uma desaceleração das retiradas nessa categoria.
Por outro lado, os
fundos multimercados do
tipo long & short, que operam posições compradas e vendidas e conseguem gerar ganhos em cenários de alta ou queda do mercado, renderam
22% ao ano e
21,5% ao ano em 2025, respectivamente, superando a média do mercado de 15,3% ao ano medida pelo IHFA (Índice de Hedge Funds ANBIMA).
Já os
fundos de ações, em que o gestor é responsável por escolher somente ações de empresas brasileiras ou estrangeiras que integrarão a carteira dos cotistas, a rentabilidade beirou
70% ao ano em 2025, tratando-se dos fundos setoriais, ou seja, que concentram-se apenas em
bancos,
elétricas,
agronegócio, por exemplo.
Todavia, os
fundos de ações ainda registraram saídas líquidas de R$ 54,5 bilhões em 2025, ante R$ 16,3 bilhões no ano anterior. Só os fundos do tipo ações livre, que não precisam seguir uma estratégia específica, foram o que mais contribuíram negativamente para a captação da categoria.