Se nos últimos anos a
renda fixa brasileira reinava absoluta como a queridinha das empresas para buscar dinheiro e, ao mesmo tempo, pagando
juros compostos generosos aos investidores, agora em 2026, a situação é outra: menos captações em
CRAs,
CRIs e
debêntures, enquanto
FIIs e ofertas de
ações brasileiras se fortalecem.
O mais recente boletim da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), divulgado nesta quinta-feira (19), mostra que as emissões de
debêntures atingiram R$ 26,9 bilhões em janeiro de 2026, queda de -5,8% na comparação anual.
Quem empresta o seu dinheiro diretamente às empresas segue concentrando aportes no setor de infraestrutura (41,4%), que engloba as chamadas
debêntures incentivadas, as quais são títulos de renda fixa totalmente isentos da cobrança de imposto de renda.
Por sua vez, as captações dos
Fundos Imobiliários foram de R$ 4,8 bilhões no mês passado, com aumento de +18,9% no confronto anual. Já os seus primos do campo, os
Fiagros, descolaram R$ 955 milhões no período, baixa de -8,6% na mesma base comparativa.
Outro destaque positivo na renda variável brasileira é a retomada das ofertas subsequentes de ações (follow-ons, no termo em inglês), que totalizaram R$ 7,9 bilhões em janeiro de 2026, enquanto no mesmo período do ano passado as
empresas listadas na bolsa de valores não haviam captado nenhum centavo com essa modalidade.
“É interessante notar o desempenho neste início de ano de notas comerciais e FIDCs, tipos de investimento que atendem também empresas de menor porte, evidenciando o leque de opções no mercado de capitais para atender às necessidades de financiamento das companhias de diversas características e portes”, afirma Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima.