Os preços dos remédios devem subir até 3,81% no Brasil a partir desta terça-feira (31).
💊 O reajuste foi autorizado pelo governo federal e já pode ser aplicado pelo
setor farmacêutico, desde fabricantes até farmácias.
O aumento, contudo, não será de 3,81% para todo tipo de medicamento. Esse teto só pode ser aplicado aos remédios em que há mais concorrência de mercado.
Já os medicamentos com média concorrência devem ser reajustados em até 2,47% e os que contam com baixa ou nenhuma concorrência só podem subir até 1,13%.
Veja os medicamentos que se encaixam em cada uma dessas categorias:
- Reajuste de 3,81%: medicamentos com alta concorrência, como analgésicos, antitérmicos, ansiolíticos e protetores gástricos, além dos remédios para o tratamento de hipertensão.
- Reajuste de 2,47%: medicamentos de média concorrência, como antibióticos, anticoncepcionais e remédios de osteoporose.
- Reajuste de 1,13%: medicamentos de pouca ou nenhuma concorrência, como remédios oncológicos, de tireoide e diabetes.
Reajuste médio é o menor dos últimos 20 anos
Dessa forma, o reajuste médio dos remédios deve ficar em 2,47% em 2026.
💲 O índice é o menor dos últimos 20 anos e ficou abaixo da inflação acumulada nos últimos 12 meses, que foi de 3,81%.
Em 2025, por exemplo, o reajuste médio dos remédios chegou a 3,83%. Já nos anos de 2021 e 2022, o aumento passou de 10%.
Veja quanto os remédios subiram, em média, no Brasil nos últimos anos:
- 2018: 2,84%;
- 2019: 4,83%;
- 2020: 5,21%;
- 2021: 10,08%;
- 2022: 10,89%;
- 2023: 5,60%;
- 2024: 4,50%;
- 2025: 3,83%;
- 2026: 2,47%.
Impacto para as empresas
O reajuste abaixo da inflação representa um vento contrário para as margens das companhias do setor farmacêutico, na avaliação da XP.
💉 Contudo, os analistas acreditam que algumas medidas podem mitigar essa questão. Entre elas, a alta das vendas dos remédios voltados ao tratamento de diabetes e obesidade, sobretudo as canetas emagrecedoras.
Para os analistas, as empresas farmacêuticas ainda podem ajustar os descontos entre o preço de referência da indústria e os preços finais ao consumidor, para tentar reajustes mais próximos da inflação.
O que diz a indústria?
Em nota, o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos) observou que "o reajuste anual ocorre em meio a fortes pressões de custos, como câmbio, insumos e logística".
O sindicato, que reúne empresas como
Hypera (HYPE3) e
Blau (BLAU3), disse ainda que o mecanismo de reajuste dos remédios brasileiros "equilibra o acesso da população, a sustentabilidade do sistema de saúde e a viabilidade econômica da indústria, o que evita aumentos desproporcionais e garante previsibilidade ao setor".
Além disso, observou que "a aplicação desses percentuais é definida pelo fabricante e depende de uma série de fatores concorrenciais e comerciais, o que faz com que muitos medicamentos não tenham seus preços reajustados integralmente, ou sequer sofram aumento".
Como é definido o reajuste?
O governo federal define o índice de reajuste dos medicamentos uma vez por ano no Brasil, geralmente no início de abril.
Esse cálculo leva em conta a variação da inflação, os custos de produção e o nível de concorrência de cada segmento farmacêutico.
"Esse mecanismo garante que os ganhos de eficiência do setor sejam compartilhados com a sociedade. Ou seja, parte desses ganhos é repassada aos consumidores na forma de reajustes menores, em vez de ser totalmente apropriada pelas empresas", afirmou o secretário-executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, Mateus Amâncio.
Alguns tipos de medicamentos, no entanto, não seguem essa lógica de reajuste anual. É o caso dos fitoterápicos, dos medicamentos homeopáticos e de alguns medicamentos que não precisam de prescrição médica e apresentam alta concorrência no mercado.