Raízen (RAIZ4): Shell propõe aporte de R$ 3,5 bilhões para evitar cisão, diz jornal

A dívida líquida da Raízen encerrou o último trimestre em R$ 55,3 bilhões, aumentando a pressão por medidas de redução da alavancagem.

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Publicado em 14/02/2026 às 14:37h - Atualizado 5 minutos atrás Publicado em 14/02/2026 às 14:37h Atualizado 5 minutos atrás por Matheus Silva
Além disso, fundos do BTG poderiam aportar cerca de R$ 5,3 bilhões (Imagem: Divulgação)
Além disso, fundos do BTG poderiam aportar cerca de R$ 5,3 bilhões (Imagem: Divulgação)
🚨 A Raízen (RAIZ4) tem uma nova proposta de reestruturação na mesa. Segundo informações do “Valor Econômico”, a Shell apresentou um caminho alternativo ao plano defendido pela Cosan (CSAN3) em conjunto com fundos do BTG Pactual (BPAC11).
A dívida líquida da Raízen encerrou o último trimestre em R$ 55,3 bilhões, elevando a pressão por soluções para reduzir a alavancagem. Atualmente, Shell e Cosan são controladoras da companhia, com 44% de participação cada, enquanto 12% das ações estão em circulação no mercado.

Proposta inicial previa cisão e conversão de dívida

A proposta original, articulada por Cosan e fundos do BTG, envolve a conversão de 25% da dívida da Raízen em ações e a divisão da empresa em duas companhias listadas na bolsa.
Uma delas ficaria responsável pelas operações de açúcar e etanol, enquanto a outra concentraria os negócios de combustíveis.
No desenho apresentado, o braço de commodities receberia cerca de R$ 1 bilhão da Cosan, R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto e aproximadamente R$ 1,5 bilhão da Shell. 
Além disso, fundos de private equity do BTG poderiam aportar cerca de R$ 5,3 bilhões.

Shell propõe solução mais simples

De acordo com a apuração do jornal, a Shell estaria disposta a aportar um valor maior para evitar a cisão da companhia. A proposta alternativa prevê uma capitalização de R$ 5 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e o restante da Cosan.
Há ainda a possibilidade de novos aportes pelos sócios e eventual realização de um follow-on para captar recursos adicionais no mercado.
Paralelamente, a Raízen segue com seu plano de venda de ativos. Nos últimos 12 meses, a companhia levantou cerca de R$ 5 bilhões e trabalha para concluir a alienação de ativos na Argentina até o fim do ano.

Desafio de reduzir a alavancagem

O objetivo da empresa é reduzir a alavancagem para um patamar entre 2 e 2,5 vezes o Ebitda. Segundo cálculos do UBS BB citados pelo jornal, a companhia precisaria levantar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões para alcançar esse nível.
A pressão financeira aumentou após rebaixamentos de rating por agências classificadoras, movimento que levou ao reconhecimento de um impairment de R$ 11 bilhões e a um prejuízo líquido de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26).
Na teleconferência com analistas realizada nesta quinta-feira (13), o CEO Nelson Gomes afirmou: “A gente chega num ponto de inflexão onde claramente toda a execução do nosso plano de transformação operacional de maneira isolada não é suficiente para mitigar o desequilíbrio”.
📈 Até o momento, a Raízen informou que não irá se manifestar sobre as propostas. A Shell também não comentou.