Quem é João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos e investigado pela PF

Empresário teve passagem por grandes empresas e conselhos de clubes, como Palmeiras e Corinthians.

Author
Publicado em 15/01/2026 às 11:37h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 15/01/2026 às 11:37h Atualizado 2 minutos atrás por Wesley Santana
Mansur é contador por formação, mas fez carreira no mundo dos negócios (Imagem: Divulgação)
Mansur é contador por formação, mas fez carreira no mundo dos negócios (Imagem: Divulgação)

Na quarta-feira (15), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços de João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos. Com forte atuação no mercado financeiro e esportivo, o empresário é uma figura bastante conhecida no mundo dos negócios, especialmente nos grandes prédios da Faria Lima, coração financeiro do país.

Mansur é bacharel em Ciências Contábeis e fundou a Reag Investimentos há cerca de 16 anos. Antes disso, atuou no alto escalão de grandes empresas ao redor do país, como a PwC e a WTorre Arenas, responsável pela construção do Allianz Parque.

Foi no futebol que ele ganhou projeção nacional no mundo dos negócios, enquanto atuava no Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras, com responsabilidade de fiscalizar as contas do clube paulista. Depois disso, ainda participou do grupo que administrava a Arena do Grêmio e, mais à frente, viria a fazer a contabilidade da Neo Química Arena, estádio do Corinthians.

Leia mais: BC decreta liquidação extrajudicial da Reag, por suspeita de fraudes

Durante sua carreira, ele também foi membro de diversos conselhos de administração. Empresas nacionais e estrangeiras — como Lux Oil & Gas International, SteelCorp e Azevedo & Travassos — contaram com a presença dele no board por décadas.

No começo da década passada, também trabalhou na Trump Realty Brazil, uma incorporadora de luxo que levava o nome do presidente dos Estados Unidos. Depois disso, veio a criação da Reag, que agora é alvo de diversas investigações das polícias de SP e da Federal.

Inicialmente, a Reag era uma gestora de investimentos, mas depois foi ampliando suas atuações no mercado financeiro. Em 2024, chegou à bolsa de valores por meio de um IPO reverso, depois de comprar e assumir o controle da GetNinjas.

Desde então, a Reag vem se envolvendo em diversas polêmicas, tendo sido acusada de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital). No ano passado, no âmbito da Operação Carbono Oculto, a polícia paulista entrou em um dos prédios da companhia, em SP, com mandados de busca e apreensão.

Na ocasião, mais de R$ 5 bilhões foram apreendidos ou bloqueados pela Justiça, entre carros, relógios e outros bens de luxo. A empresa está no mesmo processo que envolve o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.

Na operação desta quarta, além de Mansur, o empresário Nelson Tanure também foi parado pela Polícia Federal. Ele foi abordado no Aeroporto de Curitiba, antes de embarcar para São Paulo, mas foi liberado depois que os agentes confiscaram seu celular.

Liquidação da Reag

Nesta quinta-feira (15), o BC também informou ao mercado que decretou a liquidação da Reag Investimentos. Segundo a autarquia, a empresa violou de forma grave as normas do Sistema Financeiro Nacional.

A liquidação é resultado de uma longa investigação que aponta que fundos administrados pela empresa eram usados pelo crime organizado para lavagem de dinheiro. Em documento enviado ao TCU (Tribunal de Contas da União), o BC argumenta que as operações apresentam falhas na gestão de risco, de crédito e de liquidez.

"O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição", diz o comunicado do Banco Central.

O que é liquidação extrajudicial?

A liquidação é uma medida extrema tomada pelo BC para impedir que uma empresa do setor financeiro continue em operação no país. Ela funciona como uma espécie de decreto de falência, e as empresas nessa situação são bloqueadas no SFN.

O último caso desse modelo foi justamente o do Banco Master, que foi impedido de manter suas operações pelo BC em novembro do ano passado. Desde então, a instituição financeira está impedida de emitir títulos, manter contas correntes ou prestar qualquer outra modalidade de crédito em âmbito nacional.

Apesar disso, mesmo depois de dois meses, os investidores que tinham mais de R$ 40 bilhões sob custódia do Master ainda esperam ressarcimento. O pagamento será feito pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que funciona como uma espécie de seguro para quebra de bancos brasileiros.