Pressionada por dívidas de R$ 6,2 bi, gigante da moda entra em recuperação judicial

Empresa enfrenta crise financeira e tenta renegociar dívidas com credores; inflação, impostos e concorrência pressionam.

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Publicado em 17/03/2026 às 15:13h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 17/03/2026 às 15:13h Atualizado 2 minutos atrás por Wesley Santana
Lycra é conhecida mundialmente pela qualidade dos textos elásticos (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)
Lycra é conhecida mundialmente pela qualidade dos textos elásticos (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)

Você pode nunca ter usado um produto desta marca, mas em algum momento você já ouviu falar da The Lycra Company. Nesta terça-feira (17), a fabricante de tecidos elásticos protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça dos Estados Unidos. 

A companhia informou que soma dívidas de US$ 1,2 bilhões (equivalente a R$ 6,2 bi) e pede proteção contra 25 credores. Com a solicitação, a empresa quer ter tempo para renegociar suas dívidas, mantendo a operação em andamento.

A empresa diz que já conseguiu levantar US$ 150 milhões em financiamento, valor que será usado para quitar parte das dívidas previstas. Destacou, ainda, que já tem um plano de recuperação pré-pronto e, com ele, espera deixar o Chapter 11 em até 45 dias. 

"Hoje, marca um marco significativo para a The Lycra Company, pois estamos tomando medidas decisivas para reduzir significativamente nossa dívida e fortalecer nossa base financeira. Ao tomar essa decisão, continuaremos atendendo nossos clientes, apoiando nossos parceiros e oferecendo produtos de alta qualidade dos quais eles dependem. Quero agradecer aos membros da equipe pela dedicação contínua e aos nossos clientes e parceiros fiéis pelo apoio contínuo durante todo o processo”, diz comunicado divulgado pela diretoria.

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Ex-parte da DuPont e sediada no estado norte-americano de Delaware, a detentora das marcas lycra e tactel tem cerca de 80 anos de fundação. Neste meio tempo, deixou de ser uma mera fornecedora de tecido para ter sua própria linha de vestuário. Assim, desbravou diversos países, incluindo o Brasil, onde tem uma fábrica e um escritório. 

Há pelo menos cinco anos, a companhia vem passando por uma séria crise financeira. Em 2022, parte dos credores assumiram o controle da companhia, depois que ela deixou de honrar com os compromissos financeiros. 

Tempestade imperfeita

Além de vir navegando em um mar nada calmo, as últimas decisões do governo dos EUA teriam contribuindo para esse desfecho da Lycra. Desde o ano passado, impostos de importação são cobrados de produtos que chegam do exterior -em alguns casos, chegaram a 40% sob o custo dos itens. 

Somado a isso, a inflação dos EUA tem diminuído o poder de compra da população, que diminui as compras nos últimos anos. A empresa ainda teve que lidar com a proliferação de produtos genéricos, especialmente os fabricados na China, o que teria contribuído para que as contas não fechassem nos últimos meses.