Presidente da CVM demite diretores após escândalo do Banco Master

Trocas no alto escalão ocorrem após falhas de supervisão; mais de 200 processos contra bancos estão em análise.

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Publicado em 30/03/2026 às 13:48h Publicado em 30/03/2026 às 13:48h por Wesley Santana
CVM é órgão responsável por fiscalizar mercado de capitais no Brasil (Imagem: Shutterstock)
CVM é órgão responsável por fiscalizar mercado de capitais no Brasil (Imagem: Shutterstock)

O presidente interino da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu renovar parte do alto escalão da autarquia. João Carlos Accioly deve assinar a demissão de ao menos dois superintendentes da entidade, depois do escândalo envolvendo o Banco Master.

Segundo informações do UOL, os demitidos são: o superintendente-geral, Alexandre Pinheiro dos Santos, e o superintendente de Supervisão de Investidores Institucionais, Marco Antônio Velloso de Sousa. O servidor Cláudio Gonçalves Maes vai assumir a primeira cadeira, enquanto ainda não há definição sobre a segunda vaga.

A decisão das trocas veio depois de uma apuração interna de que as áreas foram notificadas sobre condutas irregulares de bancos, mas não se converteram em inquéritos ou acusações posteriormente. Diante disso, a demissão surge como uma punição para os chefes das áreas que eram responsáveis pela supervisão das instituições financeiras.

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A CVM é responsável por fiscalizar os bancos de investimentos e seus fundos. No entanto, muitos desses ativos foram usados para transações ilegais ou tratados como “opacos”, por esconderem os investidores que estão por trás da estrutura.

No mês passado, Accioly compareceu à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para prestar depoimento sobre o caso Master. Na ocasião, ele admitiu que a autarquia demorou para tomar providências em alguns casos, mas destacou que a autarquia trabalhava com menos gente do que o ideal.

“A CVM sabia desde 2022, desde antes até, e não que é não fez nada; ela fez vários processos, está fazendo. Alguns poderiam ser mais rápidos. Realmente, o pessoal trabalha além da capacidade máxima. E aí você vê que tem acúmulo de processos por pessoas e aquilo poderia ser mais rápido se tivesse mais gente. Mas também tem recursos tecnológicos que precisam ser feitos”, disse.

Neste momento, mais de 200 processos contra bancos estão em análise no órgão federal, que podem resultar em punições. Desse montante, ao menos 10% estão relacionados ao caso Master.

“Estamos falando de milhares, eu diria, de milhões de brasileiros que estão sendo prejudicados porque o dinheiro do seu fundo de previdência evaporou-se de forma criminosa. E não dá para dizer que a CVM não foi omissa”, ponderou o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que compõe o colegiado.