📈 Os preços do petróleo voltaram a subir com força nesta quinta-feira (12), mesmo após a maior liberação coordenada de reservas estratégicas já anunciada pela IEA (Agência Internacional de Energia). O barril do Brent chegou a avançar mais de 7% e voltou a tocar US$ 100, apesar da decisão de liberar 400 milhões de barris no mercado.
Por volta das 6h30, o Brent já havia recuado para US$ 98, enquanto o petróleo WTI crude oil era negociado a pouco menos de US$ 93. A alta reacende a preocupação com os efeitos do encarecimento da commodity na economia, impactos que vão muito além do preço da gasolina e do diesel.
Do supermercado às passagens aéreas
Para Wanderley Gonçalves, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, o efeito da alta do petróleo vai muito além dos combustíveis.
“Quando o preço do petróleo aumenta os impactos vão muito além dos combustíveis, devido petróleo afetar tanto o custo direto do diesel e da gasolina quanto o frete e insumos industriais”, afirma.
Como o transporte de cargas no Brasil depende majoritariamente do modal rodoviário, o aumento do diesel tende a elevar o custo do frete. Com isso, alimentos, remédios e roupas transportados até os centros urbanos acabam ficando mais caros.
O especialista também destaca que passagens aéreas podem subir, já que o querosene de aviação reage diretamente às oscilações do petróleo. No agronegócio, o impacto aparece tanto no uso de diesel em máquinas e caminhões quanto no custo de fertilizantes importados do Oriente Médio, influenciados pelo petróleo e pelo dólar.
A indústria também sente
O impacto da alta da commodity também se espalha pela indústria. Segundo Fernando Benavenutto, planejador financeiro e sócio da Anvex Capital, o petróleo é peça-chave para diversos insumos utilizados na produção industrial.
“A elevação do preço do petróleo tende a pressionar toda a cadeia petroquímica, uma vez que o barril é matéria-prima fundamental para a produção de uma ampla gama de insumos industriais”, explica.
Entre os produtos afetados estão resinas plásticas, embalagens, produtos de limpeza, cosméticos, tintas, fertilizantes e fibras sintéticas usadas pela indústria têxtil. Como esses itens dependem de derivados do petróleo, qualquer oscilação no preço do barril tende a elevar os custos de produção e, consequentemente, pressionar os preços ao consumidor.
Quando o impacto chega ao bolso
O repasse da alta do petróleo para outros produtos ocorre em ritmos diferentes. Segundo Gonçalves, frete rodoviário e passagens aéreas costumam reagir quase imediatamente, já que seus custos estão diretamente ligados ao preço do combustível.
Já alimentos e itens de supermercado tendem a registrar aumentos ao longo de algumas semanas. Isso acontece porque o repasse ocorre em etapas: primeiro sobe o frete, depois os centros de distribuição ajustam preços e, por fim, o varejo incorpora os custos.
Produtos industriais e químicos podem levar de um a três meses para refletir a alta, pois as indústrias geralmente trabalham com estoques de insumos antes de adquirir novos lotes.
Benavenutto acrescenta que, no Brasil, o impacto pode demorar ainda mais devido à política de preços da
Petrobras (PETR4), que nem sempre repassa imediatamente as variações do petróleo internacional para gasolina e diesel, o que pode retardar a chegada completa desses efeitos ao mercado interno.