Petróleo sob pressão: Israel ataca depósitos do Irã, que cita risco de desabastecimento

O presidente do Parlamento do Irã disse que guerra ameaça as vendas e a produção de petróleo.

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Publicado em 08/03/2026 às 14:17h - Atualizado 13 horas atrás Publicado em 08/03/2026 às 14:17h Atualizado 13 horas atrás por Marina Barbosa
Israel atacou depósitos e refinaria de petróleo na capital do Irã (Imagem: Força de Defesa de Israel/Reprodução)
Israel atacou depósitos e refinaria de petróleo na capital do Irã (Imagem: Força de Defesa de Israel/Reprodução)
Os preços do petróleo devem abrir a semana sob pressão renovada diante da escalada do conflito no Oriente Médio.
💣 Isso porque refinarias e tanques de armazenamento de petróleo foram alvo de ataques do Irã e de Israel durante o fim de semana.
Israel confirmou na noite de sábado (7) bombardeios a vários complexos de armazenamento de combustível da Guarda Revolucionária Islâmica em Teerã e nas redondezas, inclusive refinarias.

Nuvem preta cobre Teerã

Os ataques deixaram ao menos quatro mortos e provocaram um grande incêndio, espalhando uma densa nuvem preta pela capital iraniana. 
De acordo com relatos publicados nas redes sociais, a fumaça continuava cobrindo o céu na manhã de domingo (8), causando dificuldades para respirar.
Autoridades locais ainda alertaram a população para o risco de uma chuva ácida, carregada de produtos tóxicos e capaz de causar danos à pele e aos pulmões.
De acordo com as Forças de Defesa de Israel, as unidades atingidas eram usadas na distribuição de combustíveis para diversas entidades militares iranianas. Por isso, o ataque agrava significativamente os danos à infraestrutura militar do regime iraniano.

Irã reage

O Irã logo reagiu à ofensiva, lançando mísseis contra a refinaria israelense de Haifa e ameaçando novas ofensivas.
⚠️ Segundo a Guarda Revolucionária do Irã, ataques similares podem ocorrer em toda a região caso Israel continue atingindo a sua infraestrutura energética.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, disse que a guerra "entrou em uma nova e perigosa fase" a partir dessa nova frente de investidas.
Para ele, os ataques aos tanques de petróleo "equivalem a uma guerra química intencional contra os cidadãos iranianos".
"Ao atacar depósitos de combustível, os agressores estão liberando materiais perigosos e substâncias tóxicas no ar, envenenando civis, devastando o meio ambiente e colocando vidas em risco em larga escala", afirmou, dizendo que "as consequências dessa catástrofe ambiental e humanitária não se limitarão às fronteiras do Irã".

Abastecimento de combustíveis em risco

A distribuição de combustíveis foi interrompida em Teerã após a destruição dos tanques de armazenamento de petróleo.
⛽ Em entrevista à agência de notícias estatal IRNA, o governador Mohammad Sadegh Motamedian disse que a restauração completa da rede poderia levar algum tempo. Por isso, pediu para a população administrar o consumo de combustível.
O presidente do Parlamento do Irã, Mohamad Baqer Qalibaf, acrescentou que, "se a guerra continuar assim, não haverá como vender petróleo, nem capacidade para produzi-lo".
"As ilusões de Netanyahu estão destruindo não apenas os interesses dos Estados Unidos, mas também os interesses de países da região e do mundo", afirmou.

Iraque e Kuwait cortam produção

Outros países também já começaram a sentir os impactos da guerra no abastecimento de combustíveis. Bangladesh, que depende da importação de petróleo, por exemplo, impôs limites à compra do produto no domingo (8).
Já o Iraque e o Kuwait cortaram a produção de petróleo, em decorrência do bloqueio ao Estreito de Ormuz -rota situada na costa iraniana que é crucial para o escoamento da commodity.
Os países estão entre os 10 maiores produtores de petróleo do mundo. Por isso, o corte na produção pode pressionar ainda mais os preços do barril, que já chegaram aos US$ 90 na sexta-feira (6).

Petrobras descarta reajuste imediato

Com a disparada do petróleo, os preços da gasolina e do diesel já subiram nos Estados Unidos, atingindo os maiores valores em anos.
💲 Já no Brasil, a presidente da Petrobras (PETR4), Magda Chambriard, descartou um reajuste imediato dos preços.
Magda lembrou que a companhia não segue mais uma política de paridade de importação, para evitar grandes volatilidades. Por isso, vai esperar um pouco para entender qual será a tendência dos preços e, assim, decidir sobre eventuais reajustes.
Analistas dizem, no entanto, que os preços do petróleo devem seguir em alta caso o conflito no Oriente Médio se prolongue e continue afetando a produção da commodity.