🚨 Pedro Parente, ex-presidente da
Petrobras (PETR4) que conduziu a reestruturação da companhia entre 2016 e 2018, defende que o fechamento de capital da estatal pode ser a solução definitiva para blindá-la dos ciclos políticos.
A declaração foi feita durante o programa Hot Market, da CNN Brasil, em conversa com Rafael Furlanetti, sócio-diretor institucional da XP.
"Se o governo quer fazer política pública, quer tomar prejuízo na empresa ou quer praticar preços que não levam a empresa a maximizar o seu resultado, fecha o capital da Petrobras, aí faz o que quiser", afirmou Parente.
A virada de 2016: gestão sem indicações políticas
Quando assumiu o comando da Petrobras em 2016, a convite do então presidente Michel Temer, Parente herdou uma empresa com mais de US$ 125 bilhões em dívidas e que vendia combustível abaixo do custo de importação.
Antes de aceitar o cargo, o executivo impôs duas condições, como gestão por critérios exclusivamente econômicos e zero indicações políticas.
"Se o senhor quiser fazer indicação política, eu não sou a pessoa indicada", disse Parente a Temer, segundo relatou durante o programa.
O ex-presidente aceitou as condições e, nos anos seguintes, a Petrobras migrou da maior dívida corporativa do planeta para uma das empresas de energia mais lucrativas do mundo.
PPI foi a âncora da recuperação financeira
A recuperação veio com a adoção da PPI (Política de Preços de Paridade de Importação), modelo que alinhava os preços internos ao custo real de importar combustível. Para Parente, a escolha da paridade de importação como referência era óbvia.
"O correto é a paridade de importação", afirmou. Adotar a paridade de exportação seria, segundo ele, transferir um subsídio ao consumidor às custas do balanço da empresa, exatamente o que havia destruído as finanças da Petrobras anteriormente.
O executivo citou ainda o caso da privatização da Refinaria de Mataripe, vendida ao fundo soberano dos Emirados Árabes, o Mubadala.
Na visão de Parente, forçar preços abaixo do mercado envia um sinal negativo a esse e a outros investidores estrangeiros presentes na cadeia de refino brasileira.
"Gestão reativa" e falta de planejamento são o problema do Brasil, diz Parente.
O diagnóstico do executivo vai além da Petrobras. Para ele, o Brasil de 2026 enfrenta um problema mais profundo.
"O que caracteriza a gestão especialmente federal hoje? É uma gestão reativa", afirmou. Na avaliação de Parente, cada ministério opera com lógica própria, sem que um plano de governo costure as prioridades, e as emendas parlamentares aprofundam a desorganização na alocação de recursos.
"Quem é que sabe onde é que nós queremos chegar aqui no Brasil sob o ponto de vista de uma visão de país? Isso não existe", questionou. "Não tem nenhuma visão inspiradora. Não tem nada que diga, pô, vamos lutar por isso."
Para Parente, num cenário externo marcado por tarifas americanas imprevisíveis, conflitos no Oriente Médio e choques de oferta, a ausência de planejamento e de gestão de risco deixa o país permanentemente na defensiva.
📊 "Diante desse quadro que muda com tanta velocidade, você tem que, além de ter planejamento, ter um excelente sistema para fazer gestão de risco, considerar cenários", concluiu.