Para o JPMorgan, no entanto, o recuo parece exagerado. O banco americano atualizou suas projeções e elevou a estimativa de lucro do Nubank em 2026 em 6%, para US$ 4 bilhões, ante os US$ 3,8 bilhões anteriores.
Segundo os analistas, a redução da alíquota contábil de imposto da fintech de 28% para 22% deve gerar um aumento de lucros de aproximadamente US$ 350 milhões, compensando o avanço dos investimentos previstos para o ano.
Investidores monitoram IA, retorno ao escritório e expansão nos EUA
O JPMorgan identificou três temas que dominam as preocupações dos investidores sobre o Nubank.
"Os investidores estão ansiosos para saber quanto custarão o retorno ao escritório, a IA e a tecnologia, além dos investimentos nos EUA. A maioria das perguntas se concentra em saber se a estratégia nos EUA será bem-sucedida ou simplesmente resultará em despesas com pouca ou nenhuma visibilidade de retorno", escreveram os analistas.
Sobre os custos com o retorno ao escritório, o banco avalia que a despesa deve ser diluída ao longo do tempo, sem necessidade de dobrar o número de escritórios anualmente.
Já a IA e a tecnologia são percebidas pelos investidores como necessárias para sustentar as ambições de crescimento de longo prazo da empresa.
Na última quarta-feira (4),
o Nubank anunciou o patrocínio ao Inter Miami CF, clube que conta com Lionel Messi. Segundo o Brazil Journal, o contrato deve ter duração mínima de 15 anos, com valor anual entre US$ 18 milhões e US$ 20 milhões. A fintech não confirmou os valores.
JPMorgan mantém recomendação de compra e cita múltiplo atrativo
O banco manteve a recomendação de compra para o papel. "Acreditamos que o mercado teve uma visão muito negativa dos resultados do quarto trimestre de 2025", avaliaram os analistas.
"Consideramos este um bom trimestre em termos de receitas e qualidade dos ativos e compraríamos em qualquer momento de queda. Com base nos nossos novos números, vemos o Nubank sendo negociado a cerca de 17,5 vezes o lucro estimado para 2026."
Em relação aos fundamentos, o JPMorgan destacou que o Nubank é a fintech de maior sucesso na América Latina, com cerca de 131 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, e
ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de aproximadamente 50% no Brasil.
"Estamos reduzindo a alíquota contábil de imposto do Nubank em 6 pontos percentuais, de 28%, conforme nossa projeção anterior, para 22%. Isso, por si só, deve gerar um aumento de lucros de aproximadamente US$ 350 milhões, o que acreditamos que compensará amplamente os maiores investimentos", escreveu o banco.
📈 Para o JPMorgan, a avaliação da empresa permanece atrativa, com um CAGR de lucro por ação superior a 30% nos próximos três anos e múltiplo de cerca de 20 vezes o lucro projetado para 2026.