A
Oncoclínicas (ONCO3) sofreu um prejuízo bilionário em 2025, além de uma pressão cada vez maior sobre o seu endividamento.
Com isso, os seus diretores admitiram nessa quinta-feira (9) que "a companhia está em um cenário de incertezas significativas da continuidade operacional".
Além disso, disseram que não é possível garantir que a situação financeira e os resultados obtidos no passado venham a se reproduzir no futuro.
O que aconteceu?
Ao apresentar o balanço de 2025, os diretores explicaram que esse cenário é fruto de uma série de acontecimentos que afetaram a liquidez da companhia.
Entre eles, a perda de R$ 431 milhões depositados em instrumentos financeiros do Banco Master, o atraso de um pagamento de quase R$ 865 milhões da Unimed FERJ e a redução das suas próprias receitas correntes.
A queda das receitas é fruto da revisão da política comercial da empresa, que passa pelo desinvestimento em ativos considerados não essenciais, como hospitais.
Retomada operacional em foco...
Diante desse cenário, os diretores da Oncoclínicas disseram estar focados na revisão tempestiva de despesas e custos, para retomar a rentabilidade e os resultados da empresa.
"Mesmo com os inúmeros desafios enfrentados pela Cia ao longo do ano, o principal objetivo da Administração continua sendo a retomada operacional, fator que pode ser endereçado através de iniciativas inorgânicas que estão em análise atualmente", afirmaram.
Além disso, ressaltaram que essas iniciativas se baseiam na "convicção de que o negócio da Oncoclínicas é sustentável e que vem passando pelos ajustes necessários para voltar a apresentar resultados positivos e rentabilidade".
...e renegociação das dívidas
A Oncoclínicas ainda busca levantar capital e renegociar o cronograma de pagamento das suas dívidas, para adequar o volume de desembolsos a sua geração de caixa.
Para isso, mantém conversas com credores e não descarta pedir proteção à Justiça caso essas negociações não sejam bem sucedidas.
A avaliação é de que a companhia não apresenta as condições financeiras suficientes para cumprir com os compromissos financeiros assumidos no curto prazo.
Venda de ativos?
Em paralelo, a Oncoclínicas avalia a proposta de até R$ 1 bilhão feita pela
Porto (PSSA3) pelas suas clínicas.
A ideia da Porto, que também conta com o apoio da
Fleury (FLRY3), é reunir esses ativos em uma
nova empresa. Porém, não agradou todos os acionistas da empresa.
Dono de uma fatia de 6,31% da Oncoclínicas, o
Mak Capital propôs aportar R$ 500 milhões no negócio, mas, em troca, pediu a eleição de um novo Conselho de Administração.
O balanço da Oncoclínicas
Diante dessa situação, a Oncoclínicas apresentou o balanço do quarto trimestre de 2025 com dez dias de atraso, nessa quinta-feira (9).
A companhia teve um prejuízo líquido de R$ 1,51 bilhão no trimestre, quase o dobro do rombo registrado no mesmo período de 2024.
A receita líquida diminuiu 12,6%, para R$ 1,36 bilhão. Já o Ebitda ajustado caiu 24%, marcando R$ 238,8 milhões, com uma margem de 17,4%.
Além disso, o resultado financeiro foi negativo em R$ 431,9 milhões, devido às provisões para perdas feitas após a liquidação do Banco Master. Já a dívida líquida financeira marcava R$ 2,9 bilhões ao final de 2025, com uma alavancagem de 3,5x.
Com isso, a Oncoclínicas terminou o ano passado com um prejuízo líquido de R$ 3,6 bilhões, bem maior que o resultado negativo de R$ 717 milhões registrado em 2024.