Acionistas da BRF votam e aprovam fusão com Marfrig; ações reagem
Empresas ainda não divulgaram cronograma de integração dos negócios
Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3) entraram em choque nesta sexta-feira (29), após dois anos de negociação sobre a venda de ativos no Uruguai.
🥩A Minerva tenta comprar desde agosto de 2023 as unidades de abate de bovinos mantidas pela Marfrig nas cidades de Colônia, Salto e San José. Contudo, a transação foi barrada pela autoridade concorrencial do Uruguai em maio de 2024 e, desde então, vinha sendo renegociada.
Nesta sexta-feira (29), no entanto, a Marfrig publicou um fato relevante dizendo que o prazo para o fechamento do negócio acabou e indicou que, por isso, não tem mais obrigação de seguir com a venda das plantas para a Minerva.
A companhia alega que o contrato assinado em 28 de agosto de 2023 dizia que o fechamento da operação estava sujeito ao cumprimento de determinadas condições que deveriam ser atendidas em um prazo de 24 meses, o que não aconteceu.
🗣️ "As condições suspensivas aplicáveis à Operação não foram satisfeitas até a Data Limite e, portanto, o Contrato Uruguai foi resolvido de pleno direito, não mais obrigando as partes a concluir a Operação", declarou.
A Minerva, no entanto, rebateu a declaração e disse que segue engajada na aprovação do negócio. "A Companhia discorda da alegação da Marfrig e entende que o contrato permanece em vigor", afirmou.
A Minerva chegou a anunciar a venda da planta de Colônia para a AllanaMagellan em junho deste ano, por um valor de US$ 48 milhões. A venda era uma das condições para que a companhia conseguisse ficar com os outros dois ativos negociados com a Marfrig. Contudo, a conclusão da operação também dependia do aval da autoridade concorrencial uruguaia.
A Marfrig ressaltou que "as três unidades, objetos da transação, continuam operando plenamente".
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💲 O negócio no Uruguai fazia parte de uma operação maior, em que a Minerva também comprou plantas da Marfrig no Brasil, Argentina e Chile. A transação foi avaliada inicialmente em R$ 7,5 bilhões ao todo, sendo R$ 675 milhões das plantas uruguaias.
O negócio, contudo, também passou por ajustes no Brasil. O Tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a transação com restrições em setembro de 2024. A avaliação foi de que as restrições eram necessárias para garantir a preservação de um ambiente competitivo e equilibrado no mercado brasileiro de carnes bovina e ovina.
No Uruguai, a Coprodec (Comissão de Promoção e Defesa da Concorrência do Uruguai) barrou a venda dizendo que a Minerva passaria a deter uma posição dominante no mercado local de abate bovino local com a aquisição.
Quando anunciou o acordo em agosto de 2023, a Minerva disse que a transação reforçaria sua liderança como a maior exportadora de carne bovina da América do Sul. Já a Marfrig disse à época que a operação estava alinhada à "estratégia de focar na produção de carnes com marca e produtos de maior valor agregado".
Empresas ainda não divulgaram cronograma de integração dos negócios
Após meses de incertezas, 43,79% dos acionistas minoritários da BRF votaram a favor da incorporação de ações pela Marfrig.