Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3) entram em choque por ativos no Uruguai, entenda

Marfrig indicou que não quer mais vender 3 plantas uruguaias para a Minerva, que discorda.

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Publicado em 29/08/2025 às 14:39h - Atualizado 13 horas atrás Publicado em 29/08/2025 às 14:39h Atualizado 13 horas atrás por Marina Barbosa
Minerva disse que seguirá engajada na aprovação do negócio (Imagem: Shutterstock)

Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3) entraram em choque nesta sexta-feira (29), após dois anos de negociação sobre a venda de ativos no Uruguai.

🥩A Minerva tenta comprar desde agosto de 2023 as unidades de abate de bovinos mantidas pela Marfrig nas cidades de Colônia, Salto e San José. Contudo, a transação foi barrada pela autoridade concorrencial do Uruguai em maio de 2024 e, desde então, vinha sendo renegociada.

Nesta sexta-feira (29), no entanto, a Marfrig publicou um fato relevante dizendo que o prazo para o fechamento do negócio acabou e indicou que, por isso, não tem mais obrigação de seguir com a venda das plantas para a Minerva.

A companhia alega que o contrato assinado em 28 de agosto de 2023 dizia que o fechamento da operação estava sujeito ao cumprimento de determinadas condições que deveriam ser atendidas em um prazo de 24 meses, o que não aconteceu.

🗣️ "As condições suspensivas aplicáveis à Operação não foram satisfeitas até a Data Limite e, portanto, o Contrato Uruguai foi resolvido de pleno direito, não mais obrigando as partes a concluir a Operação", declarou.

A Minerva, no entanto, rebateu a declaração e disse que segue engajada na aprovação do negócio. "A Companhia discorda da alegação da Marfrig e entende que o contrato permanece em vigor", afirmou.

A Minerva chegou a anunciar a venda da planta de Colônia para a AllanaMagellan em junho deste ano, por um valor de US$ 48 milhões. A venda era uma das condições para que a companhia conseguisse ficar com os outros dois ativos negociados com a Marfrig. Contudo, a conclusão da operação também dependia do aval da autoridade concorrencial uruguaia.

A Marfrig ressaltou que "as três unidades, objetos da transação, continuam operando plenamente".

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O negócio

💲 O negócio no Uruguai fazia parte de uma operação maior, em que a Minerva também comprou plantas da Marfrig no Brasil, Argentina e Chile. A transação foi avaliada inicialmente em R$ 7,5 bilhões ao todo, sendo R$ 675 milhões das plantas uruguaias.

O negócio, contudo, também passou por ajustes no Brasil. O Tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a transação com restrições em setembro de 2024. A avaliação foi de que as restrições eram necessárias para garantir a preservação de um ambiente competitivo e equilibrado no mercado brasileiro de carnes bovina e ovina.

No Uruguai, a Coprodec (Comissão de Promoção e Defesa da Concorrência do Uruguai) barrou a venda dizendo que a Minerva passaria a deter uma posição dominante no mercado local de abate bovino local com a aquisição.

Quando anunciou o acordo em agosto de 2023, a Minerva disse que a transação reforçaria sua liderança como a maior exportadora de carne bovina da América do Sul. Já a Marfrig disse à época que a operação estava alinhada à "estratégia de focar na produção de carnes com marca e produtos de maior valor agregado".